domingo, 4 de dezembro de 2016

Tiãzinho


O pequeno boiadeiro...

Sebastião nasceu na fazenda Boa Esperança, em Minas Gerais, no final do século XVIII. Seus pais eram crioulos que já nasceram escravos. Tiãozinho, como era conhecido, desde cedo ajudava na lida com o gado e com os cavalos. Era um serviço que ele tinha prazer em realizar. Tião só não gostava de ver os maus tratos, então sempre que podia evitava expor os animais ao sofrimento. Se ele era castigado por conta disso, não se importava, contanto que pudesse livrar os animais das chibatadas.
Tião estava com dez anos quando uma remessa de cavalos puro sangue chegou à fazenda. Um dos cavalos estava arredio e não aceitava a aproximação de ninguém. O adestrador espancava o animal, mas de nada adiantava. Quanto mais ele batia, mais o animal se rebelava. Tião sentia a dor do animal. Então, enquanto todos dormiam, reuniu os cavalos e saiu em fuga com eles. O capataz ao ouvir o tropéu dos cavalos, reuniu os jagunços e saiu em perseguição. Pensaram tratar-se de roubo e saíram atirando nos fujões. Atiraram contra Tião e atingiram-no em cheio nas costas. Ele ainda conseguiu abrir a porteira para que os cavalos fugissem, mas morreu ali mesmo. Seus pais nem puderam lamentar o ocorrido, pois foram castigados por conta dele e vendidos para outra fazenda.
Com o passar dos anos, sempre que um animal era maltratado na fazenda, alguém ouvia um assobio e o animal saía em disparada, pulando cercas e sumindo no meio das matas. Então a lenda cresceu e diziam que um menino negro montado em um cavalo atiçava os animais para eles fugirem.

Sepé Tiaraju


Um verdadeiro Caboclo de Oxóssi!

Hoje, em homenagem ao Dia de São Sebastião, compartilhamos nesse blog a história de "São Sepé" ou Sepé Tiaraju, um índio tupi-guarani, que viveu em um Aldeamento Cristão, chamado Sete Povos das Missões e foi batizado com o nome de Joseph, após ficar órfão. Ele era inteligente, bom combatente e execelente estrategista. Falava perfeitamente seu idioma e os idiomas dos brancos.
Os jesuítas e os índios viviam em paz e harmonia na região, trabalhando juntos pelo progresso da terra. Espanhóis e portugueses lutavam para dominar o território gaúcho, que já possuía sua própria cultura e história. Através de tratados, espanhóis e portugueses trocaram os Sete Povos das Missões pela Colônia Sacramento, obrigando 50 mil índios cristãos e todos os jesuítas a abandonarem suas cidades, igrejas, lavouras e fazendas, onde criavam gado, equinos e outros animais. Eles foram obrigados a deixar para trás, inclusive, os túmulos de seus ancestrais. Os conquistadores tinham interesse na riqueza acumulada pelos nativos.
Na época em que Portugal dominou o território rio-grandense, já havia nele uma população e uma cultura nativa da terra, denominada cultura gaúcha, principalmente na região da Campanha, onde hoje se encontra a fronteira com o Uruguai. Tal população sofria com as guerras pelo território entre Portugal e Espanha, para as quais eram, muitas vezes, recrutados à força.
Sepé Tiaraju pereceu em combate no dia 7 de fevereiro de 1756, contra o Exército Espanhol, na batalha de Caiboaté, às margens do córrego Sanga da Bica, na entrada da cidade de São Gabriel. Após sua morte 1500 índios guaranis foram massacrados e em poucos meses o sonho missionário acabou. Por sua bravura foi considerado um santo popular e venerado pelos povos nativos e descendentes. Muitos escritores famosos lembraram de seus feitos em seus escritos, como Érico Veríssimo (no romance O Tempo e o Vento) e Basílio da Gama (no poema O Uruguay).
No dia 21 de setembro de 2009, foi publicada a Lei Federal 12.032/09, que traz em seu artigo 1º o texto "Em comemoração aos 250 (duzentos e cinquenta) anos da morte de Sepé Tiaraju, será inscrito no Livro dos Heróis da Pátria, que se encontra no Panteão da Liberdade e da Democracia, o nome de José Tiaraju, o Sepé Tiaraju, herói guarani missioneiro rio-grandense." Leia a história completa em http://vocacionadosdedeusemaria.blogspot.com.br/2011/04/sao-sepe-o-martir-dos-povos-indigenas.html.
Hoje, no Rio Grande do Sul, em sua homenagem, existem estátuas e uma cidade que recebeu seu nome (http://www.saosepe.rs.gov.br/). As curiosidades sobre seu povo podem ser lidas em http://www.informativoonline.com.br/ir/?pg=coluna&id=160. Sepé Tiaraju costumava dizer na língua tupi-guarani: "CO IVI OGUERECO IARA!" (Esta terra tem dono!) 
Aqui terminamos fazendo uma ressalva: vemos o Rio Grande do Sul sofrer com secas e falta de água, assim como o Nordeste. Quais eram as duas regiões mais próperas do país na época da Colonização? E hoje são regiões onde o solo paga seu preço. Quando falam que o sul do país tentou se tornar um país independente, renegando ser brasileiro, não foi por conta do Brasil essa luta, mas por conta da Guerra Estrangeira. Após a morte de tantos índios (que a história quase esqueceu), o sonho missioneiro acabou, mas o povo gaúcho canonizou por conta própria Sepé. Sabemos que a Igreja Católica não canoniza índios nativos. Mas, a Umbanda possui essa missão de fazer lembrar os índios e negros que construíram essa terra. 
 

Cacique Pemba Branca de Aruanda..


Um Xangô Agodô no Reino da Umbanda.

Ele nasceu no oeste Africano e seu povo era formado por uma tribo nômade de coletores e pescadores, que viajavam entre as regiões de Benim, Costa do Marfim, Gâmbia, Libéria, Mali, Senegal, entre outras... E viviam dessa forma, em meio às Savanas Africanas, entre o Deserto do Saara e alguns Oásis, que encontravam pelo caminho. Costumavam usar o pó de efun para pintarem seus corpos, diminuindo, com isso, o calor abrasivo do sol sob o corpo. Cobriam-se com peles de animais, nas noites frias, dormiam em cavernas, árvores ou ao relento... Se o local fosse bom, ficavam por um bom tempo e montavam acampamento, com todos os componentes da Tribo.
O deserto do Saara era cruel em determinadas épocas e a comida ficava escassa; então, os Holandeses chegaram, com a promessa de uma nova vida em terras distantes, cheias de fartura. Ele acreditou e reuniu seus melhores homens para a viagem, pensando que um dia voltaria para buscar a mulher e os filhos. Durante a viagem, eles conheceram e perceberam a armadilha: eram escravos, juntamente com outras tribos e nativos de outras regiões da África. No porão do navio, além de sua gente, haviam mulheres e crianças viajando, todos desnutridos e esquálidos. Muitos morreram durante a viagem e seus corpos eram lançados às águas profundas do Oceano. Ele, sempre calado, somente observava. Ninguém sabia que ele era o Cacique da Tribo e seus comandados acharam melhor preservá-lo assim. Devido ao costume de sua tribo, onde usavam o Efun (pó branco), para pintarem-se ao sair no sol, seu nome era "Cacique Pemba Branca" (ou na língua nativa: Tata owo Efun-Efun).
Os dias arrastavam-se e tornaram-se semanas e meses, depois de uma longa viagem. Muitos haviam morrido, durante o trajeto. Quando acostaram o navio na nova terra e foram obrigados a desembarcar viram uma exuberante natureza, toda verde e frondosa e muitas pessoas diferentes os observavam. Haviam pessoas brancas, mas haviam alguns nativos índios, como eles, mas de outra cor. Pemba Branca olhou e olhou... E percebeu que nada conhecia do mundo. Pela primeira vez, sentiu-se impotente perante Olorum e lembrou-se de sua Aldeia, de sua mulher e de seus filhos. Uma lágrima escorreu de seus olhos e ele sentiu uma chibata em suas costas! Foi quando virou-se bruscamente e agarrou o seu agressor, puxando-o bem junto a si e pronunciou: "-Tata Iku, Iku... Nhá Egungun, Kaô Kaô, Ma Epa Babá!" (Senhor dos Mortos e Senhora da Morte, faça Justiça, Meu Pai Maior!)
Os olhos do agressor estalaram, pois ele sabia da fama de "feiticeiros" que os negros carregavam. Acercaram-se dele e o levaram a uma senzala, com os outros negros. Alimentaram-nos e separaram-nos. No outro dia seriam comercializados em Praça Pública, na cidade de Cabo Frio no Rio de Janeiro. A noite caiu e Pemba Branca demorou a dormir ouvindo o lamento das mulheres e das crianças. Uma dor muito grande atravessou a sua alma e Ele queria entender o que Zambi queria Dele... Levantou seus olhos e pediu que o guiassem: - Qual era a sua missão nessa terra?
No dia seguinte, ele foi um dos primeiros a ser comprado por um fazendeiro, pois era um negro forte e valente! Foi levado às terras de Minas Gerais, para trabalhar em lavouras e minas de carvão. Com o tempo, ele nunca mais falou uma palavra de sua língua... Ele só ouvia e olhava. Os outros o temiam, porque homem muito calado é arrisco! Somente um dia o viram ajoelhado em terra, com um punhado de lama nas mãos dizendo: "-Odwdwa Dadá Orunmilá... Odwdwa ê!" Quem era nativo sabia que ele clamava à Mãe Terra e ao Pai Céu; mas, os demais, nada entenderam...
Um dia, o filho do patrão, perdeu-se da Casa de Engenho. Ele era um moleque arteiro de seus 7 anos e gostava de correr pela fazenda. O patrão desesperou-se, pois pensou em sequestro e vingança e correu as terras com seus capatazes! Quando chegou próximo à Plantação de Canavial ouviu a voz de seu menino e uma outra voz desconhecida. Apeou do cavalo e correu roça adentro... Foi quando deparou-se com Pemba Branca e seu filho sentados no chão conversando animadamente e brincando com pedrinhas. O menino puxou o pai pela mão e disse: "-Meu Amigo Pai, ele cuidou de mim!!!" E apontou para uma cobra caninana morta na beira do canavial. O homem caiu de joelhos e agradeceu ao negro que salvou a vida de seu filho!
A partir desse dia, Pemba Branca tornou-se o homem de confiança do patrão e passou a cuidar dos afazeres e dos escravos. Mas, continuava calado. Então, o patrão mandou chamá-lo e perguntou o que o entristecia e ele apontou para a esposa do patrão e para seu filho... O patrão entendeu. E pensou: como resolver essa situação? Perguntou a Pemba Branca se ele entendia sua língua e ele fez que sim com a cabeça. Então questionou: "-Você quer voltar? Ou quer buscá-los?" Pemba Branca refletiu, refletiu e por fim decidiu: gostaria de buscá-los.
Então, começaram os preparativos e Ele viajou à África para rever sua Aldeia e sua família. Mas, quando chegou não encontrou ninguém... Estava tudo deserto! Procurou por dias e nem sinal de sua tribo ou gente. Desanimou, desesperou-se e quase desistiu da vida! Mas, havia dado sua palavra ao patrão e retornou ao Brasil. Quando chegou, dedicou-se com afinco ao seu trabalho, mas tornou-se um homem sério, fechado e sisudo. Dificilmente conversava. Somente observava e fazia seu trabalho.
Passaram-se vinte anos e ele começou a adquirir os traços da maturidade. Não era somente um homem; nem ele sabia mais de sua idade... Então, um dia trouxeram um nova leva de escravos para a fazenda e dentre eles haviam 4 rapazes, com pouca diferença de idade. Ele foi encarregado de alojá-los e indicar-lhes o trabalho. Estavam maltratados, machucados e esquálidos. Cuidou deles, através da Nega Sinhá que alimentava a todos na fazenda. Nenhum deles levantou o olhar e ele os deixou assim, pois já sabia dessa dor.
Deixou passar três dias para que descansassem bem e alimentassem-se. Então, procurou-os para conversar e explicar tudo. Eles estavam sentados no canto da senzala, vestidos, lavados e alimentados. Quando ele aproximou-se, um deles o enfrentou e  encarou seu olhar. Então, aquele olhar lhe disse alguma coisa e ele falou em sua língua nativa: Nh'Yaô... (Meu Filho...) De repente, todos se acercaram dele e o abraçaram... Eram seus filhos perdidos! Conversaram, conversaram e esclareceram tudo. Ele soube que a mãe foi mordida por uma serpente do deserto e não sobreviveu. E os filhos peregrinaram por outras terras, em busca de alimento e sobrevivência. O tempo passou e os filhos pensaram que o pai havia sido assassinado por outra tribo ou por bichos selvagens.
Agora, eles esclareceram tudo e estavam juntos novamente. Pemba Branca correu contar ao patrão sobre seus filhos. Ele já havia conquistado o respeito e a admiração de todos na Fazenda e foi recebido com alegria. Então, lhe prepararam uma choça no meio da senzala, para ele morar com a família, onde poderia ter sua privacidade assegurada. Ele nunca casou-se novamente, pois ainda pensava reencontrar sua esposa. Porém, a vida lhe preparou um novo destino e ele conheceu uma africana de uma tribo vizinha, que havia chegado há poucos meses na fazenda. Desposou-a e teve com ela duas meninas gêmeas, que ele chamou de Naê e Ylá - em sua língua nativa.
Depois disso ele viveu ainda trinta anos e pode visualizar o processo de libertação dos escravos sendo elaborado por alguns abolicionistas. Seu patrão faleceu, mas o Sinhozinho que herdou a Fazenda sempre foi seu amigo e ele foi tratado com respeito. O Sinhozinho tornou-se um Abolicionista e libertou a todos os escravos, dando moradia, sustento e soldo a todos. Ele foi um homem honrado e respeitado, que ajudou no Movimento da Inconfidência Mineira. Hoje, Cacique Pemba Branca de Aruanda trabalha silenciosamente nos Terreiros de Umbanda e Candomblé pelo país afora... Ele é pouco conhecido no Plano Físico, mas muito respeitado no Plano Espiritual.

Indiazinha Indaiatuba:


A mensageira dos ventos!

O nome "Indaiatuba" vem da língua tupi-guarani: indaiá (um tipo de palmeira) e tuba (grande quantidade, ajuntamento). Portanto, Indaiatuba significa Muitas Palmeiras ou Diversos Cocais! A região de Indaiatuba, no estado de São Paulo, já era habitada desde o século XII por povos indígenas tupis-guaranis, que cultivavam palmeiras, batata-doce, mandioca, milho, amendoim, feijão, entre outras culturas. Mas, a partir da segunda metade do século XVIII, a região começou a ser ocupada por fazendas de cana-de-açúcar.
A Indiazinha Indaiatuba nasceu na Tribo dos Tupiniquins, no interior do estado de São Paulo. Era uma menina feliz com seu povo. Gostava de brincar com os bichos, de passear na floresta e de ajudar a mãe em seus afazeres. Vivia a correr pela tribo e a brincar com todos que trabalhavam. Ora ajudava um em seus afazeres, ora ajudava outro. Ela também gostava de assoprar as folhas que se ajuntavam no chão só para vê-las voar. Ou então, pegava as penas das aves e brincava com elas, deixando-as cair para rodopiarem no ar.
Indaiatuba era a alegria da aldeia indígena e do Povo Tupiniquim. Mas, como nem tudo dura para sempre... Um dia, a indiazinha embrenhou-se nas matas para buscar flores, passarinhos e outros mimos de suas brincadeiras. Como ela demorava a voltar, saíram a sua procura e encontraram-na caída ardendo em febre. Levaram-na a oca do pajé que tudo fez para socorrê-la. Eles, porém não sabiam o que havia acontecido, pois ela não apresentava sinal de picada de bicho ou algo parecido.
Três dias se passaram com a Indiazinha Indaiatuba a agonizar em seu leito, quando, por fim, exalou seu último suspiro... Foi uma comoção total na Aldeia, pois todos eram afeiçoados à menina. Muitos choraram dias, mas entenderam que Tupã a quis para si, tamanha era a sua generosidade. Meses após seu desencarne, muitas índias começaram a observar na tribo alguns sinais de Indaiatuba: folhas a voarem pelo ar, penas a rodopiarem ao vento e um perfume de flores a invadir a Aldeia. Então, elas exclamaram: "Indaiatuba está nos visitando!" E o povo entendeu que a menina era um espírito bom que agora habitava os Céus de Tupã.

Caboclinho Estrelinha:


Un Niño de las Estellas!

Hoje iniciamos essa postagem saudando a São Cosme e São Damião pelo seu dia (no catolicismo comemora-se hoje e na Umbanda é amanhã). Por conta disso, contaremos a história de um Caboclinho que trabalha nessa Seara: o Caboclinho Estrelinha. Quando Ele iniciou seu trabalho deu o nome de Christian e explicou porque usava esse nome - "Cristiano" é a forma espanhola ou italiana de dizer "cristão" e significa "aquele que é semelhante a Cristo". Ele explicou que trabalhava para Oxalá (Jesus) e sentia muito orgulho em Serví-Lo. Após alguns anos, Christian "cresceu" e disse que trabalharia como Caboclinho e que assumiria o nome de Estrelinha: "Aquele que veio das Estrelas"!
Ele disse que, em todas as encarnações que viveu na Terra desencarnou criança, em meio às catástrofes naturais, como: avalanches, tornados, furacões, tsunamis, enchentes, etc. Sua missão era sempre a de alertar a população sobre o amor a Deus e de mostrar que a vida é eterna. Ele disse que, hoje em dia, é mais fácil entender sobre sua existência, porque aqui na Terra existem muitas crianças semelhantes a ele: Índigos e Cristais. E também existem livros e documentos que falam sobre isso: Star Peoples(http://somostodosum.ig.com.br/blog/blog.asp?id=5791). Como ele cumpriu sua missão de mensageiro de Cristo, não precisa mais reencarnar por hora...
Encontramos um livro, publicado em espanhol, que conta sobre ele e mostra sua aparência tal e qual nós a vemos: http://m.ciao.es/Ami_el_nino_de_las_estrellas_Enrique_Barrios__Opinion_1851700. Existe uma cantiga infantil que lembra muito o significado de suas histórias: http://www.youtube.com/watch?v=_tlqUvFK0gs. Através do Caboclinho Estrelinha saudamos a todos os "Cosminhos e Cosminhas" que trabalham na Umbanda Sagrada: Omi Beijada!
 

Uma Cabocla da Lua e uma Cabocla do Sol


As preferidas de M'Boi...
 
A Cabocla da Lua pode atuar nas 4 fases da lua. Cada fase da lua indica a influência de uma Mãe:  Iemanjá, Yansã, Nanã e Oxum. Assim, ela pode se apresentar como Cabocla da Lua Nova, Cabocla da Lua Crescente, Cabocla da Lua Minguante e Cabocla da Lua Cheia. A Cabocla da Lua que contaremos a história a seguir, não pertence a essa Seara. Ela nos procurou e pediu para relatarmos uma de suas existências.
O Umbandista acredita em Deus (Zambi), em Jesus (Oxalá) e nos demais Santos, Profetas e Anjos. Ele também acredita na Reencarnação e por conta disso sabe que todos os espíritos possuem mais de uma existência. Portanto, quando uma Entidade  relata a história de uma vida, não significa que tenha sido sua "única" vida.
A Cabocla da Lua que nos procurou, contou que em uma de suas existências como índia, não nasceu sozinha. Sua mãe teve gêmeos e junto com ela nasceu uma irmã. Ela nasceu durante a madrugada, enquanto a luz da lua cheia clareava as matas. Sua irmã nasceu ao clarear do dia, quando o sol raiava e sua luz cobria a aldeia. Por isso, sua mãe lhe chamou de Jaciíra, que significa "Filha da Lua" e sua irmã recebeu o nome de Guaraciíra, "Filha do Sol".
As duas irmãs eram muito apegadas, mas muito diferentes também. Enquanto Jaciíra não temia nenhum perigo, Guaraciíra era mais cautelosa com as coisas. Mesmo assim, as duas dividiam todas as tarefas e brincadeiras e se divertiam muito. Assim, elas cresceram e tornaram-se duas lindas moças, cada uma com sua beleza e com seu talento. Elas eram queridas por toda a tribo e disputadas pelos guerreiros que queriam casar.
Mas, um dia, M'Boi exigiu uma oferta, pois o Homem Branco estava preparado para atacar a aldeia e a defesa estava em baixa... Ele exigiu as duas indiazinhas. A Aldeia ficou em polvorosa e não sabia o que fazer; eles não podiam descumprir uma ordem tão sagrada. Então, todos se reuniram: o Cacique, o Pajé e todos os índios mais velhos. Entraram em um consenso que Guaraciíra e Jaciíra deveriam cumprir seu papel para salvar a tribo.
Alguns índios não aceitaram a imposição: os pais das irmãs e os índios apaixonados por elas...  As duas irmãs não relutaram e aceitaram seu destino. E, no dia marcado, as duas entraram no barco que desceria o rio, para cumprir a tarefa que lhes foi reservada. Ao chegar ao local onde M'Boi morava elas esperaram...
Enquanto isso, na aldeia, houve uma revolta por conta de alguns índios e isso enfraqueceu a tribo. Durante a madrugada aconteceu o ataque dos brancos, que encontraram poucos guerreiros e nenhuma resistência na luta. Mas, durante a batalha, ocorreu um fato que ninguém ousaria contar... O próprio M'Boi baixou na Aldeia e atacou os homens brancos! Aqueles que sobreviveram fugiram assustados. Então, ao final da batalha M'Boi retirou-se, pois os índios haviam cumprido sua promessa.
As duas irmãs ficaram no barco três noite e três dias esperando e esperando... Elas acharam que M'Boi havia rejeitado a oferta por causa da demora da tribo. Quando porém estavam para voltar para a Aldeia, M'boi apareceu, envolveu-as e arrebatou-as e levou-as  sobre as águas. As duas irmãs se abraçaram e aguardaram... Quando abriram os olhos estavam no meio da aldeia. M'Boi olhou-as e retirou-se, deixando-as ali entre seu povo.
No dia seguinte, a história das duas índias que foram abençoadas por M'Boi correu por todas as tribos! A vitória da batalha graças a intervenção do Grande M'Boi foi celebrada por todos. Jaciíra e Guaraciíra casaram no mesmo dia. Elas tiveram muitos filhos, que tiveram outros filhos que cresceram e construíram uma Nação: os Jês. Durante os anos seguintes, elas contaram para os filhos e para os netos a aventura que viveram.

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Os caboclinhos e as caboclinhas da Umbanda


Na Umbanda Sagrada temos a Linha de Ibeji, comandada por São Cosme e São Damião - data comemorativa em 26/09 no Catolicismo e 27/09 na Umbanda. Nessa Linha atuam Entidades Infantis, que desencarnaram ainda crianças em sua última passagem terrena. Porém, além da "Ibeijada" que atua nos Terreiros e da famosa Festa de São Cosme e São Damião, existem "Caboclos e Caboclas" infantis que atuam nas demais Linhas.
Qual a diferença de um Ibeji para um Caboclinho? A diferença está na idade, na maneira que sua última vida foi conduzida e na forma como ele desencarnou. Normalmente os Erês possuem até sete anos e os Caboclinhos ou Caboclinhas possuem um pouquinho mais de idade ou são adolescentes. Aqui podemos citar o trabalho dos Exus Mirins e das Pombagiras Mirins. Na Linha das Almas (ou Pretos-velhos) não vemos a atuação de crianças porque, apesar de termos um Ibeji escravo, ele atua em outra Linha...
Na Linha de Oxalá podemos citar: Caboclinho Estrelinha, Caboclinho Raio de Sol, Caboclinho Luz do Luar, Caboclinho de Jesus, Caboclinho Luzeirinho, Caboclinho Lamparininha ou  Lampadinha, Caboclinha Mariana, Caboclinha Coraçãozinho, Caboclinho Sete Velas, etc...
Na Linha de Xangô: Caboclinho Pedreirinha, Cachoeirinha, Machadinha, Trovãozinho, Foguinho, Caboclinha das Pedras, Caboclinho ou Caboclinha do Deserto, Caboclinha das Cavernas, etc...
Na Linha de Ogun: Caboclinho Espadinha, Estradinha, Cavaleirinho, Boideirinho, Caçadorzinho, Caboclinho Sentinela e outros.
Na Linha de Oxóssi: Caboclinho Folhinha, Sementinha, Flechinha ou Peninha (Verde, Azul, Amarela, etc), ou usando nomes indígenas, como: Coeté, Airumã, Airy, Ajira, entre outros...
Na Linha de Iemanjá: Caboclinha das Ondas, Caboclinha Pérola, Caboclinha Sereiazinha, Jandirinha, Conchinha, Caboclinho das Marés, Caboclinho Pescador, etc. 
Na Linha de Oxum: Caboclinha Cachoeirinha, Caboclinha Florzinha, Caboclinha Gota d'Água, Caboclinho Cascatinha, Caboclinho das Nascentes, Caboclinho da Chuva, Caboclinha Dourada e outros.
Na Linha de Yansã: Caboclinho Furacãozinho, Caboclinho Raiozinho, Caboclinho dos Ventos, Caboclinha Pimentinha, Caboclinha da Fogueira, Caboclinha Juremeira, Jureminha, etc.
Em outras Falanges, temos: Capoeirinha, Cangaceirinho, Baianinho, Ciganinhos e Ciganinhas, etc. Assim como qualquer Entidade que trabalha na Umbanda, cada um deles possui suas histórias e suas particularidades para nos contar, sobre sua última passagem terrena.