quinta-feira, 15 de março de 2018

CABOCLA JUPIARA

Essa Cabocla nos contou a seguinte história: "Nasceu na Tribo dos Bororos, que viviam entre as terras do Alto Pantanal, no estado de Mato Grosso e da Serra do Caiapó, em Goiás. Sua tribo costumava se deslocar entre os Rios Paraguai e Araguaia, para coleta e caça. Eram amigos da natureza, viviam em paz com outras tribos e não apresentaram problemas com a chegada do homem branco. Quando os jesuítas se instalaram, os Bororos auxiliaram seu trabalho na fundação de várias "Missões" e também deram suporte aos bandeirantes em suas viagens pelo interior das matas.

Jupiara gostava das mudanças que sua tribo fazia ao se deslocar pelas margens do rio e da floresta; assim, ela podia conhecer novas plantas e animais. Sua maior alegria era enfeitar-se com flores coloridas e conversar com as araras e papagaios da região. Costumava usar grãos de sementes e frutas variadas para atrair os pássaros. Também sentava na margem do rio e alimentava os peixes só para vê-los mais próximos de si. Seus pais lhe chamavam de Jupi Iara , que quer dizer: Senhora das Plantas e das Águas. Ela não se considerava uma índia bonita, porém era simpática e inteligente e sabia interagir perfeitamente com outros costumes. Com isso, casou-se com um bandeirante, após a permissão dada por seus pais. Teve três filhos e faleceu de hemorragia, durante o terceiro parto."

Jupiara tornou-se uma guardiã da natureza e seu espírito era visto por muitos índios, andando em meio a tribo ou a beira do rio. Eles alegavam sentir o perfume das flores e ouvir o canto dos pássaros nesses momentos. Seu espírito era visto principalmente após o nascimento de uma criança, ou depois da mudança da tribo. Alguns diziam ver uma índia iluminada, cercada de diversas flores e araras. Assim, Jupiara seguiu trabalhando e tornou-se mais uma Cabocla da Umbanda Sagrada.

Fonte: umbandaempaz.blogspot.com.br

CABOCLA JANAÍNA



A Linha das Águas compreende tanto as Caboclas de Iemanjá como as Caboclas de Oxum. As Caboclas dessa Linha são formosas, simpáticas e de extrema paciência. Assumem diversos nomes, como: Janaína, Iara, Inaê, Jandiara, Jandira, Jandaia, Indaiá, entre outros. Também temos Caboclos atuando nessa Linha... Mas, hoje, contarei apenas a história da Cabocla Janaína desta seara.

Janaína significa "Rainha do Lar". Ela nasceu na Tribo dos Goitacás, no litoral sul do estado do Espírito Santo. Eles eram índios pacíficos e felizes porque evitavam a guerra. Seu pai era um grande guerreiro e sua mãe uma grande tecelã. Viviam da caça e da pesca. Sua pele era queimada do sol da praia, onde gostava de passar horas apreciando o mar. Sabia nadar como um peixe e compreender a linguagem da natureza.

Quando a expedição Cabralina passou por suas praias ela foi uma das primeiras a avistar o navio e o homem branco. Apaixonou-se pelo que viu: eles pareciam deuses para ela... Janaína possuía olhos amendoados, longos cabelos negros e pele morena do sol. Seu corpo possuía boa forma e beleza. Por isso, chamou a atenção do homem branco, quando ele desembarcou próximo a sua aldeia. Ela correu avisar os chefes da Tribo e chamar os demais. Acompanhou de longe todos os contatos, mas não entendia o que eles falavam. Pelos sinais percebeu que tentavam se aproximar e fazer amizade. Deram presentes, que para ela eram desconhecidos: garfos, colheres, espelhos, colares... Mas, que pareciam tesouros! O que mais lhe chamou a atenção foi o espelho! Já havia se mirado nas águas de um lago, mas olhar-se num espelho, era mágico!

Os portugueses lhe deram um vestido e um adorno de cabelo e lhe mostraram como usar tudo aquilo. Ela se vestiu e se enfeitou e percebeu os olhares sobre ela. Nunca mais foi a mesma. Sentiu-se encantada com esse novo mundo. Sabia que existia muito mais do que ela conhecia. Foram vários meses de visita. Ela não tinha medo do homem branco e até apaixonou-se por um deles; ele era um dos imediatos do navio. Mas, ela já estava prometida em casamento.

Após dois anos de visitas contínuas, ela entregou-se ao rapaz, em meio a natureza. Dois meses depois estava grávida e o navio já estava de partida. Sua tribo era severa com traições. Seria mantida presa na oca até o nascimento da criança, a qual seria dada aos animais. Depois a prenderiam em um mastro no meio da tribo, com privações diversas sob o sol e a lua, até que contasse quem era o pai da criança. Em seguida seria expulsa ou morta com uma flechada no peito. Por conta disso, desesperou-se ao perceber que ficaria sozinha. Não tinha planejado nada daquilo, apenas aconteceu. Então, ao ver o navio partindo, atirou-se às águas e nadou o mais que pode para alcançá-lo. Queria pedir ao pai da criança que a levasse junto. Mas, suas forças enfraqueceram e afogou-se nas águas profundas... A Mãe d'Água compadecida, devolveu seu corpo à praia e quando a encontraram não entenderam o que aconteceu. A Tribo dizia que ela morreu por amor ao homem branco.

Depois que desencarnou seu espírito foi recolhido e ela soube o restante da história. O rapaz retornou a Portugal e nunca mais visitou o Brasil. E somente trinta anos depois os brancos voltaram a pisar em sua terra nativa. Os capixabas foram colonizados e os índios catequisados pelo Padre José de Anchieta. Foi convidada a trabalhar para auxiliar os índios que morreriam nos próximos anos devido à ocupação pelo homem branco. Foi então fundada a Colônia de Jurema, que começou a abrigar todos os nativos que morriam para preservar seu solo. Os séculos passaram e muita coisa aconteceu ao Brasil. Sua terra não era mais a mesma. Surgiu a Colônia de Aruanda e um novo trabalho se instalou e ela se tornou mais uma trabalhadora da Seara Umbandista no solo brasileiro.

Fonte: umbandaempaz.blogspot.com.br

segunda-feira, 5 de março de 2018

PONTOS DE BOIADEIROS






1- PONTO DE BOIADEIRO


Seu boiadeiro por aqui choveu
Seu boiadeiro por aqui choveu
Choveu que água rolou
Foi tanta água que seu boi nadou
Foi tanta água que seu boi bebeu
Seu boiadeiro
Foi tanta água que seu boi nadou


2-
Mas ele veio pelo rio de contas
Vem caminhando pela aquela rua
Olha que beleza
Seu boiadeiro no clarão da lua

3-
Boa noite meus senhores
Boa noite meus senhores
Daí licença para um cavaleiro
Daí-me licença para um cavaleiro
Eu moro em mata serrada
Eu moro em mata serrada
O meu nome é caboclo vaqueiro
Boa noite meus senhores
Boa noite meus senhores
Daí licença para um cavaleiro
Daí-me licença para um cavaleiro
Deus nos salve casa santa
Deus nos salve casa santa
Onde Deus fez a morada
Onde Deus fez a morada
Boa noite meus senhores
Boa noite meus senhores
Daí licença para um cavaleiro
Daí-me licença para um cavaleiro
Onde mora os cálices bento
Onde mora os cálices bento
E a hóstia consagrada
E a hóstia consagrada

4-
Cadê minha corda
De lança meu boi
O meu boi fugiu
Eu não sei pra onde foi

5-
Toma lá vaqueiro
Toma jaleco de couro
Toma jaleco de couro
Na porteira do curral

6-
Na minha boiada me falta boi
Oi me falta um ou me falta dois
Na minha boiada me falta boi
Oi me falta dois ou me falta três

7-
Tava longe, tava longe
Tava longe dessa terra
Tava longe, tava longe
Tava longe tava em guerra

8-
Zai, zai, zai boa noite meus senhores
Zai, zai, zai boa noite e venham cá
Zai, zai, zai eu me chamo boiadeiro
Zai, zai, zai não nego meu natural

9-
Oh lá nas matas
Lá da Jurema
Oh lá nas matas
Lá da Jurema
É uma lei severa
É uma lei sem pena

10-
Em cima do meu lajedo
Eu bebi água no gravata
Sou boiadeiro
Eu bebi água no gravata
Sou gentileiro
Eu bebi água no gravata

11-
De manha cedo na capela bate o sino
Seu boiadeiro veio aqui para rezar
Trabalhador não tem noite não tem hora
Galo canto ta pronto pra trabalhar

12-
A menina do sobrado
Mandou me chamar, pois sou criado
Eu mandei dizer a ela
Estou vaquejando o meu gado
Olô boiadeiro
Eu gosto do samba arrochado

13-
Folha por folha
Na mangueira tem
Minha guiada
E, e, a

14-
Abalei minha roseira
Para tirar do caminho
Na aldeia de boiadeiro
Não se pisa em espinho

15-
São sete anos
São sete noites
Que eu andava na juremeira

16-
Com meu chapéu de couro
Com Deus abençoado
Ao chegar peço licença
Pra entrar no seu reinado

17-
Pedrinha miudinha
Pedrinha de Aruanda eh
Lajedo tão grande
Tão grande de Aruanda eh

18-
Oh meu lajedo é muito grande
De pedrinha miúda
De pedrinha miúda
Oh de pedrinha graúda

19-
Estrela Dalva é minha guia
Que ilumina sem para
Ilumina a mata virgem
Cidade do jurema

20-
De lá vem vindo
De lá vem só
De lá trazendo
As forças maior

21-
E lá no mato
Tem um boiadeiro
Ele é bonito e formoso
Como o raio do sol

22-
E como vai camarada
Eu vou indo
Eu venho aqui
Na tocada do sino

23-
A abelha que faz o meu
Também faz o são cura
Caboclo pega a sua flecha
Não deixa outro toma
E, e, e, e,
Guerreiro joga as flechas para o ar

24-
Mais um adeus
Aleluia adeus
Vou pra jurema
Quem vai se embora sou eu
Eu já vou, já vou
Eu já vou pra lá
Tupã pai me chama
Eu já vou a retirar

25-
E quem vem lá
É dois dois de ouro
Quem vem lá boiadeiro sou eu
A cancela do meio bateu
Sou eu, boiadeiro sou eu
Boiadeiro, boiadeiro
Sua boiada esparramada
Boiadeiro chama seu guia
E vai ver sua boiada

26-
Sou brasileiro, sou brasileiro
Sou brasileiro imperador
Sou brasileiro
O que, que eu sou
Eu sou brasileiro
Brasileiro imperador
Eu sou brasileiro
Brasileiro o que, que eu sou

27-
Oh lapa
Oh lapa de bom Jesus
Oh lapa terra sagrada
Boiadeiro é que nos conduz

28-
Sinhazinha já me vou
Galo cantou na serra
Salvei ioiô
Salvei sinhá
Bate o dia estrada a fora
Peço a Ogum pra me ajudar

29-
Água no pé da gruta
Na gruta da santa cruz
Seu boiadeiro é hora, é hora
Sua guiada é de Jesus

30-
To no caminho
Boiadeiro toca o sino
Ele é menino
Mais já sabe trabalha
Seu moço toca a guiada
Seu boiadeiro bom Jesus do Maria

31-
E com o laço de couro fino
Capote de pele quente
Seu vaquejada já ta saindo
Sua boiada partiu na frente

32-
Bóia boiadeiro
Boiadeiro bóia
Se eu contar minha vida
Boiadeiro chora
  
33-
Cadê seu boiadeiro
Aonde ele ta
Ele ta fechando o corpo
Para trabalha
Range muito gado
Cura muita gente
Ele é Zé boiadeiro
Que cabra valente

34-
É hora, é hora
Galo cantou é hora é hora
Seu boiadeiro já vai embora
Com Deus e nossa Senhora

35-
E boi, e boi, e boi
Eu vou buscar meu laço
Eu perdi minha boiada
Na virada do compasso
Eu fui boiadeiro
Eu fui sim sinhô
Mais perdi tudo o que eu tinha
Por causa de um grande amor

36-
Não toque nesse boi
Que esse boi é cruzado
Ele é de boiadeiro
Caboclo valente de peito afiado
Se você precisar
Boiadeiro esta aqui
Mais não toque no boi
Que a ponta da chibata pode lhe ferir

37-
Salve boiadeiro
Salve a boiada
Salve a virgem Maria
Salve esta morada
Salve a luz Divina
Um rei lá na chapada
Salve a Santa Cruz
Salve a virgem Imaculada


38-

Ele é caboclo ele é Flecheiro
Bumba na calunga
É caçador de feiticeiro
Bumba na calunga
ele vai firma seu ponto
Bumba na calunga
Oi firma aqui e lá na Angola
Bumba na calunga

39-

Sou boiadeiro da serra
Eu vim buscar minha boiada (bis)
Na mão direita meu laço
Na esquerda minha guiada
Não deixo meu boi fugir
Eu vou cantando na estrada
Laia laia lalauê (bis)

40-

Seu boiadeiro olha que linda boiada (bis)
Está faltando um, está faltando um,
Pra completar a boiada (bis)
Ô ô ô ô ô ô ô ô ô ô ô (bis)
Lá vem seu boiadeiro
Tocando a sua boiada (bis)

41-

Chetruê, Chetruá
Minha corda é de laçar
Chetruê, Chetruá
Meu boi fugiu mandei buscar
42-

Vem, boiadeiro vem, gira seu laço na mão, 
Seu boiadeiro toca boi, toca boiada, 
De dia de madrugada ele é o rei lá do sertão, 
Chapéu de couro, ele toca seu berrante, 
Ele faz sua zuada nas bandas do Chapadão, seu boiadeiro

43-

Na instância de boiadeiro,
Eu bebi água de gravatá. (bis)
Eu bebi água de gravatá,
Seu boiadeiro,
Eu bebi água de gravatá. (bis)

44-

Bandeira Branca trago do Pai Forte,
Trago no peito uma Estrela brilhante,
Deus lhe salve tua Casa Santa.
E salve tua espada de guerreiro
Estrela D’Alva quem guiou meus passos,
Foi quem me trouxe neste terreiro,

45-

Atravessei o mar o mar à nado
Por cima de dois barris eu vinha ver a Juremeira
E os caboclos do Brasil

46-

Eu vim de Minas trazendo minha boiada,
Na beira da estrada eu parei pra descansar, 
Boiadeiro, ê, boiadeiro há
Boiada boa como a de Minas não há.

47-

Ele é carreiro da Estação da Leopoldina, 
Vinha carreando boi lá pro estado de Minas
48-

Quem samba fica quem não samba vai embora
Eu vou chamar seu boiadeiro que vai começar o samba agora...

49-

Boiadeiro joga o laço pra laçar seu Boi Tatá, 
Se o cavalo é puro-sangue, o cavaleiro nem se fala...
Chetruê, chetruá

50-

Eu tenho meu chapéu de couro
Eu tenho a minha guiada
Eu tenho o meu lenço vermelho
para tocar a minha vaquejada

51-

Cadê seu Boiadeiro aonde ele tá, 
Ele tá fechando o corpo
Para trabalhar
Tange muito gado, cura muita gente
Ele é João Mineiro que cabra valente.