Caipora é uma entidade da
mitologia tupi-guarani. A palavra “caipora” vem do
tupi caapora e quer dizer "habitante do mato".
[1] No folclore brasileiro, é representado como um pequeno
índio de pele escura, ágil e nu.
Habitante das
florestas, reina sobre todos os animais e ele destrói os caçadores que não cumprem o acordo de caça feito com ele. Seu corpo é todo coberto por pelos. Ele vive montado numa espécie de
porco-do-mato e ele carrega uma vara. Primo do
Curupira, protege os animais da floresta. Os índios acreditavam que o Caipora temesse a claridade, por isso protegiam-se dele andando com tições acesos durante a noite. O Caipora é considerado em algumas partes do Brasil como canibal, ou seja dizem que come quem ele vê caçando, até mesmo um pequenino inseto.
[carece de fontes]
No imaginário popular em diferentes regiões do País, a figura do Caipora está intimamente associada à vida da floresta. Ele é o guardião da vida animal. Apronta toda sorte de ciladas para o caçador, sobretudo aquele que abate animais além de suas necessidades. Afugenta as presas, espanca os cães farejadores, e desorienta o caçador simulando os ruídos dos animais da mata. Assobia, estala os galhos e assim dá falsas pistas fazendo com que ele se perca no meio do mato. Mas, de acordo com a crença popular, é sobretudo nas sextas-feiras, nos domingos e dias santos, quando não se deve sair para a caça, que a sua atividade se intensifica. Mas há um meio de driblá-lo. O Caipora aprecia o fumo. Assim, reza o costume que, antes de sair numa noite de quinta-feira para caçar no mato, deve-se deixar fumo de corda no tronco de uma árvore e dizer: "Toma, Caipora, deixa eu ir embora". A boa sorte de um caçador é atribuída também aos presentes que ele oferece. Assim, por sua vez, os homens encontram um meio de conseguir seduzir esse ente fantástico. Mas fracasso na empreitada é atribuído aos ardis da entidade. No sertão do Nordeste, também é comum dizer que alguém está com o Caipora quando atravessa uma fase de empreendimentos mal sucedidos, e de infelicidade.
Há muitas maneiras de descrever a figura que amedronta os homens e que, parece, coloca freios em seus apetites descontrolados pelos animais. Pode ser um pequeno caboclo, com um olho no meio da testa, coxo e que atravessa a mata montado num porco selvagem; um índio de baixa estatura, ágil; um homem peludo, com vasta cabeleira.
Segundo o folclorista
Luís da Câmara Cascudo, "ser caipora é o mesmo que ter azar, ter sorte madrasta, ser perseguido pelo destino (...). Nas lendas tupis, o caapora é representado ora como uma figura de um pé só, à maneira do saci, ora com os pés virados para trás, simbolizando por isso, como diz João Ribeiro, 'a pessoa que chega tarde e nada alcança'".
A palavra caipora e seus derivados como "caiporismo" apareceram na literatura e teatro de revista.
[1]
Em
1870,
Machado de Assis explicou o termo em
O rei dos caiporas como um indicativo da
fatalidade de um homem. E ainda
os dicionários não trazem o termo, mas ele corre já pela salas e ruas e adquiriu direito de cidade.
[1]
O
direito de cidade apareceu na peça
O Zé Caipora de Oscar Pederneiras (
1860-
1890), encenada no
Rio de Janeiro, sobre a história de um homem azarado que se envolvia em muitas peripécias.
[1]
O escritor
Aluísio de Azevedo no conto
Polítipo (
1895) descreve o suicídio de um sujeito azarado chamado Boaventura da Costa, como "jamais o caiporismo encontrou asilo tão cômodo para as traiçoeiras manobras como naquele corpinho dele".
[1]
Em
1919,
Lima Barreto usou o termo em
Coisas do reino do Jambom. Ao relacionar superstições aos capuchinhos italianos, mencionou que
você anda caipora; precisa ir aos barbudinhos ou rezar nos barbadinhos.
[1]
Caiporas são guardiões na Escola de Magia e Bruxaria do Brasil, a Castelo Bruxo. O universo da magia no Brasil começou a se desenvolver nos contos escritos pela inglesa
J. K. Rowling no seu site
Pottermore.
[2]
Em
Dicionário do folclore brasileiro,
Luís da Câmara Cascudo diferencia
caipora de
caguira (pronuncia-se
cagüira). O caguira é descrito como um "termo de São Paulo na acepção de pessoa infeliz. Sua infelicidade difere essencialmente da do caipora porque é transitória ou, no pior dos casos, intermitente, enquanto a do caipora é perene, interminável, eterna. O caipora é infeliz por ter sido avistado pelo duende vingativo: o caguira o é incidente e transitoriamente, em determinado momento, pelas dificuldades criadas por competidores em seus interesses".
Em
Conceito de civilização brasileira (
1936),
Afonso Arinos de Melo Franco, em um contexto de industrialização e o progresso alimentava o sonho das elites, o caipora representava uma "crença bárbara" e teria repercutido mal na identidade nacional.
[1]
A Caipora foi um dos personagens do programa infantil
Castelo Rá-Tim-Bum. Neste programa, a Caipora aparecia toda vez que alguém assobiava, e só desaparecia quando alguém adivinhava a palavra secreta que ela havia escolhido. Ela contava histórias e lendas indígenas, sempre protagonizadas por dois indiozinhos. Era interpretada por
Patrícia Gasppar.