quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Cacique Cobra Preta


O Mensageiro de Omulu...

Esse Caboclo, que atua na Linha das Almas, foi um Inca que viveu no século XV, na região onde hoje se encontra a cidade de Lima no Peru. O Império Inca era dividido em quatro partes, chamados Suyus. Ele pertencia ao Império Chinchaisuyo, localizado ao Norte. E ainda haviam os Suyus: Kollasuyu, Antisuyu e Kuntinsuyu. Cada Suyu era comandado por um governador, o Tukriquq (ou Apus). Os Suyus se dividiam em regiões (aldeias), que eram comandadas pelos "Kurakas" - uma espécie de Cacique - que se dirigia ao Tukriquq. O Império Inca (chamado na época de Tawantisuyu) era governado por Pachukuti, imperador Inca, que inicou a expansão do Reino e sua divisão em suyus. O governo se concentrava no Templo do Sol (Koricancha) na cidade de Cuzco, considerada a capital do Império e o umbigo do Império Inca. 
Alchuapa, esse era seu nome, pertencia ao Clã das Serpentes Negras e como todo iniciado em xamanismo, mantinha contato com toda espécie de animais peçonhentos durante a iniciação. Podia ficar dias sem comer ou beber e mesmo assim sobreviver incólume. Sua força estava em contactar as cobras negras da região: muçuranas, caninanas e sucuris escuras. Elas se enrodilhavam em seu corpo enquanto entrava em transe, depois de beber o preparado de ervas do ritual xamânico. Ele assumiu como Kuraka uma das aldeias do Suyu norte, após terminar sua formação como xamã e governou até o ínicio do século XVI, quando os espanhóis iniciaram sua invasão. Então, muitas batalhas foram travadas, muitos Apus foram mortos e Alchuapa terminou sua jornada como inca nesta terra.
Alchuapa peregrinou como espírito por toda a América do Sul e viu muitas tribos diferentes e muitos homens de outras nações. Assistiu muitas batalhas e muitas mortes. Muitas transformações aconteceram em suas terras. Quando ele viu o negro chegar ao Brasil para ser escravizado, admirou sua cor de pele, pois era negra como as serpentes que ele conhecia. Alchuapa acompanhou a tudo como espírito e percebeu a força dessa raça, parecida com a sua em determinação. Foi nesse momento que um Ser muito iluminado e de aspecto bondoso se aproximou dele e lhe ofereceu amparo. Alchuapa pensou se tratar de um de seus deuses da tradição Inca, mas o ser lhe disse que veio de outra terra, chamada África.
Alchuapa perguntou quem era ele e o que ele comandava e Ele respondeu:
" - Eu sou o Senhor da Morte! Chamam-me de Omulu!"
- O que o senhor faz nesta terra?
" - Trago uma nova crença ao homem e conforto aos filhos da Terra. Venho com outros como eu e nos chamam de Orixás."
- O senhor também exige sacrifícios?
" - Não, meu filho, apenas recolho as almas e encaminho a uma nova morada..."
- E que morada é essa?
"-É Aruanda, meu filho!"
- Existem outros como o senhor?
" - Existem... E há um que é o maior entre todos e que ensina o amor ao próximo. Seu nome é Oxalá e Ele atua na vibração do amor do Criador de Tudo Aquilo que existe. Eu trabalho para Ele. Venha trabalhar comigo meu filho e eu te ensinarei tudo isso..."
Alchuapa pensou por um momento... Seu espírito estava cansado de peregrinar e ele queria encontrar um caminho que lhe ajudasse a compreender tudo o que lhe havia acontecido. Então respondeu: Sim, eu irei... E foi assim que Alchuapa iniciou sua jornada espiritual como "Cacique Cobra Preta".
 

Caboclo Serra do Mar


Um Cacique, um Pajé, um Xamã...

Como já escrevemos, nós não publicamos histórias que já existem em outros blogs ou sites, pois nossa intenção não é concorrer. Também, aqui queremos esclarecer que, quando escrevemos as histórias é a pedido das Entidades que nos procuram e usamos a clariaudiência, a clarividência e a psicografia para isso. Em momento algum, dissemos que estas histórias pertencem unicamente àquela Entidade, ou que aquela Entidade é única. Por mais que existam diversas Entidades atuando em uma mesma Falange, elas possuirão os mesmos aspectos e semelhanças durante sua apresentação. Nossa intenção é apenas elucidar as características de cada Entidade junto ao médium; pois, mesmo que suas histórias de vida sejam diferentes, a aparência e a postura serão sempre a mesma.
 
Sobre esse Caboclo, em especial, ele nos contou que viveu à Beira-Mar de Serra Leoa, na África. A região é considerada uma região de muitas riquezas minerais, vegetais e animais. Durante séculos, sua tribo vivia em perfeita paz, ordem e harmonia, mas isso foi modificado com a chegada do homem branco e do comércio de escravos e pedras preciosas. Ele era um nativo da tribo dos Temnese viviam nos vales próximos a praia. Eles ornamentavam-se com as pedras coloridas que encontravam, sem saber de seu valor comercial. Também usavam peles de animais e outros enfeites no corpo. Em sua tribo era costume desenhar na pele com espinho e depois passar carvão aquecido na água com chá de noz de cola (Obi). Assim eles tatuavam-se usando uma técnica diferente dos Maoris.
Após a chegada dos brancos em sua região, eles foram obrigados a trabalhar para eles, recolhendo pedras preciosas e trocando pela vida de sua gente. Assim, conseguiram, durante muito tempo, manterem-se afastados da escravidão, sem serem "vendidos". Como sabiam da localização exata dos minérios especiais e das pedras preciosas, eram poupados. Porém, certa vez, quando o homem branco estava afastado de sua Tribo, eles decidiram lutar por sua liberdade e armaram uma estratégia de guerra. Sua tribo apesar de numerosa não possuía armas sofisticadas para a luta. Então, quando o homem branco chegou eles começaram sua luta. Não é preciso dizer que muitos morreram e foi um massacre, pois lanças e flechas nada podiam contra armas de fogo. Ele desencarnou nessa luta junto com quase toda a sua gente. Quem não morreu lutando, foi vendido como escravo. E assim, acabou seu povo e sua vida.
Hoje, sua paz de espírito está em ajudar a todos que lhe procuram, com palavras de ânimo, sabedoria e tranquilidade. Ele entendeu que a vida é só uma escola e uma passagem e que aqui tudo não passa de uma aprendizagem. "A verdadeira vida é aquela que desfrutamos após nossa morte, pois é onde nosso espírito apresenta-se verdadeiramente como é..."

Cacique Aimoré e Cacique Tupinambá


E a história de suas vidas...

Após a chegada dos portugueses ao Brasil, outras etnias quiseram disputar espaço, como os franceses e os espanhóis. E isso gerou muitas revoltas no litoral de toda a extensão do território brasileiro. Houveram muitas guerras, como a de Paraguaçu, no Recôncavo Baiano; o extermínio dos Potiguaras, no Rio Grande do Norte; entre outras que nem são relatadas pela história, pois foram esquecidas. Mas, aqui quero falar da bravura de dois caciques: Tupinambá e Aimoré; e relatar a sua visão da história.
Uma das guerras mais importantes, disputadas pela aliança entre índios e brancos, para preservar seu território dos invasores foi a Confederação dos Tamoios. Para os índios, pior do que perder suas terras para um estranho, era perdê-la para muitos estranhos! Por isso, mesmo vendo o tamanho do inimigo que se aproximava à beira-mar, entre 1563 e 1567, os índios Tupinambá (do Rio de Janeiro), os Carijós (do Planalto Paulista), os Aimoré (da Serra do Mar) e os Goitacá (também da Serra do Mar), fizeram a Aliança com o homem branco e criaram a Confederação dos Tamoios. Mas, nos dois lados da disputa haviam índios e brancos e, nos dois lados, a história não era verdadeiramente narrada aos de "pele vermelha" (pele que o sol queimou).
Os Tamoios venceram muitas batalhas e eles nem sabiam porque lutavam, pois o homem branco apenas fez uso de sua força. O índio foi enganado e usado por "Brancos Reformadores" (os Conquistadores) e por "Brancos Pacificadores" (os Jesuítas). De qualquer forma, o índio perdeu, pois milhares de vidas foram dizimadas; dezenas de tribos desapareceram e muitos índios fugiram e se embrenharam nas matas densas. Essa foi a história da Reforma e da Contra-Reforma - era o destino da Colonização, da Coroa contra a Igreja, de uma nação contra outra e da qual o índio participou sem saber porque lutava. As Tropas Indígenas dos Tamoios foram vencidos pelos Jesuítas e aqueles que não fugiram, tornaram-se servos do homem branco. E aqui iniciou-se uma nova história para o Brasil...
O Cacique Tupinambá e o Cacique Aimoré eram amigos, suas Tribos eram vizinhas e dividiam os mesmos costumes, as mesmas tarefas e a mesma língua. Os habitantes das duas tribos eram amigos e podiam se auxiliar. Durante séculos puderam viver em paz e tranquilidade. As guerras eram somente com os índios Guaikurus, quando esses tentavam invadir seu território. Os índios das diversas etnias, que habitavam as Américas, eram altos, fortes, destemidos e nobres. Sabiam progredir sem ameaçar a natureza, viviam em aldeias bem organizadas. Mas, a interferência do branco e a mistura das raças fez o índio perder sua origem e seu verdadeiro código de valor.
Quando a Guerra que dizimou as tribos Tupinambá e Aimoré aconteceu, os Caciques deram suas vidas para evitar a extinção total de suas raças. Ao final da batalha perceberam que haviam sido enganados pelo homem branco e ajudaram alguns índios a fugir para preservar a raça e a verdade de sua história. Aqueles que se salvaram foram o mais longe que puderam e até hoje não se sabe mais onde os encontrar...
Cacique Aimoré e Cacique Tupinambá choraram a perda dos seus, pelo massacre que aconteceu. Não importava o lado da batalha: todos perderam. Eles partiram para a morada de Mboi para aguardar o chamamento de Tupã. Quando lhes falaram de uma Terra semelhante a deles onde poderiam trabalhar suas origens eles aceitaram a tarefa. Foi assim que se dirigiram a Jurema e ajudaram a Aruanda no trabalho de propagação da nova religião de amor e união de todas as raças: a Umbanda! Aceitaram comandar as falanges que receberiam seus nomes e trabalhar com os índios desencarnados nas batalhas à beira-mar.
E aqui teve início uma nova história de refazimento do solo brasileiro pelos nativos de pele vermelha. Agora eles poderiam trabalhar com seus irmãos brasileiros, sem o preconceito pela cor de sua pele e pelas suas origens, pois hoje eles são aceitos como são: apenas índios! E essa é a AUMBANDHÃ!
 
 

Caboclo Sete Conchas


Um antigo habitante da Ilha de Marajó!

Esse Caboclo manifestou-se algumas vezes em nossa seara. Disse que é um Protetor, que trabalha na Linha das Águas de Mamãe Iemanjá. Seu trabalho é coordenar as limpezas e purificações energéticas nos filhos da Corrente Mediúnica da Casa ou nos assistentes.
Ele era um índio Aruak, da Tribo Aruã e viveu na Ilha de Marajó, hoje estado do Pará, no primeiro século do Brasil Colônia, entre os anos de 1500 a 1600. Sua tribo representa o fim de uma civilização de nobres artesãos - a quarta fase. A tribo já estava entrando em extinção, quando os portugueses chegaram a ilha.
Viviam principalmente da pesca. Faziam artesanatos, cultivavam tubérculos e criavam alguns animais. Evitavam ir ao continente, pois ouviram falar de uma tribo cruel vinda da Venezuela (os Karib), que se apossavam das mulheres e dos pertences de outras tribos.
Os Aruak sempre foram pacíficos. Evitavam a discórdia e resolviam tudo com diálogo. Por isso eram facilmente atacados. Sua proteção estava, justamente em ficar o mais longe possível do continente. A ilha, para eles, era seu refúgio.
Nessa vida, disse ele, aprendeu o amor ao próximo, o respeito a natureza e a viver pacificamente... E é isso que ele transmite aos médiuns enquanto atua nos trabalhos.

Caboclo Cobra Amarela


Um índio pantaneiro.

Esse índio nasceu na margem esquerda do Rio Paraguai, onde hoje se localiza a cidade de Cáceres, no estado de Mato Grosso. Ele era um índio forte e destemido da tribo dos Paiaguá. Seu nome indígena era Membira M'Boi (Filho do Deus Serpente), pois ele conseguia ficar submerso na água por longos minutos. Escondia-se nos arbustos e folhagens sem ser visto e atacava sorrateiramente, como uma cobra. Adorava brincar com todas as cobras da região, principalmente com a "Cobra Amarela" (Bothriechis Schlegelii).
Os Paiaguás uniam-se aos índios Guaikurus nas batalhas contra os invasores, alcançando a vitória nas lutas. Eles entendiam de montaria e estratégias de guerra, por isso, eram exímios guerreiros. Manejavam o arco e a flecha com destreza. Eram hábeis navegadores, sabiam mergulhar e, praticamente, viviam sobre as águas. Eles tornaram-se conhecidos como "índios canoeiros". Eram nômades, deslocavam-se com rapidez e possuíam muitas aldeias, com rota de fuga dentro da floresta.
Sua tribo possuía um código de honra que os impedia de recuar em uma batalha. Por isso, junto aos Guaikurus, lutaram contra os portugueses, oferecendo grande resistência à povoação do Pantanal mato-grossense. O Mato Grosso foi povoado por terra, através da Rota Madeira Guaporé, pois, pela água, os índios ainda dominavam. Somente em 1791, um Tratado de Paz conseguiu apaziguá-los e declará-los súditos da coroa portuguesa. Então, chamou-se "Guaikuru" todos os indígenas do Pantanal que compartilhavam a mesma língua nativa.
Membira M'Boi morreu lutando por sua terra e por sua gente, no começo do século XVIII. Soldados fortemente armados devastaram a maior parte das aldeias Paiaguá, em busca de ouro e pedras preciosas. Assim, ele concluiu sua jornada terrena e inicou sua jornada espiritual. Segundo esse caboclo, que já viveu na Austrália e na Europa, em vidas anteriores, sua maior aprendizagem ocorreu no Brasil, onde aprendeu a respeitar a natureza e a vida. Hoje, ao trabalhar na Umbanda, Membira M'Boi atende pelo nome de Caboclo Cobra Amarela; ele trabalha para as Mães d'Água e para Oxumaré.

Urubatão da Guia


Salve o Cacique Guerreiro!

Esse índio viveu e comandou uma das Tribos Sioux, em Dakota do Norte, nos Estados Unidos, no século XVII. Os Sioux ou Lakotas eram excelentes caçadores, coletores e guerreiros. Suas táticas de luta eram temidas pelos inimigos. Durante a colonização pelo homem branco, resistiram o quanto puderam na conquista de seus territórios.
Seu nome era Tatanka Eitanka (que quer dizer "Grande Búfalo" na língua indígena), ele foi o tataravô de Tatanka Yotanka ("Búfalo Sentado"). Tatanka prevenia seu povo sobre a chegada de um homem de pele clara, que devastaria as riquezas das terras e dominaria seu povo. Isso aconteceu quase dois séculos depois, quando um dos maiores genocídios indígenas da história manchou de sangue o território americano.
Esse nobre e corajoso guerreiro ensinou seu povo a lutar, a resisitir e a crescer. Seus costumes eram respeitados pelas tribos vizinhas. Tatanka Eitanka morreu uma morte natural, mas seu espírito ficou no solo americano para ver suas profecias se concretizarem. Quando muitos índios quedaram ao chão no maior massacre americano, Tatanka estava lá para recolhê-los e levá-los consigo ao Reino do Grande Espírito.
Ele tornou-se um guia para os espíritos desencarnados. Os índios diziam que ele parecia o urubá (Marantácea - Maranta uruba), a planta que mais crescia nas florestas e era muito usada para forrar o chão antes de se deitar. Mas, outros índios, diziam que ele parecia a ubatã (Anacardiácea - Gonçalo-Alves), uma árvore dura e resistente, da qual se fabricavam canoas. Outros diziam que ele era como o urubá, mas resisitente como a ubatã. Então, diziam Urubá Ubatã é nosso Guia! Assim, sua lenda cresceu e sua história ficou perdida no tempo. Urubá Ubatã da Guia é hoje Urubatão da Guia, servo fiel de nosso amado Pai Oxalá.

Caboclo Arariboia


Um Comanche amigo dos animais!

Essa é a história de um nativo americano que nasceu na região onde hoje se localiza o estado de Oklahoma, na Tribo dos Comanches. Desde cedo perceberam que ele possuía o dom para falar com os animais e para entender a linguagem da natureza, por isso lhe deram o nome de Índio Andante, pois perceberam que ele era uma criança bastante inquieta e esperta.
Os comanches eram um povo originário dos Astecas e falavam a língua derivada desse povo. Sabiam domesticar cavalos e isso os fez crescer e conquistar outros territórios. Eram exímios coletores e caçadores. E aprendiam rapidamente outros costumes. Por isso, quando o homem branco chegou ao seu território, os Comanches tentaram uma convivência. Mas, a guerra e a ganância impediram o convívio das raças.
Índio Andante não ficou em sua tribo quando os homens começaram a alterar sua cultura. Preferiu andar pelas terras e verificar com seus próprios olhos a transformação que estava acontecendo. Andou por diversos territórios ao sul dos Estados Unidos, pela América Central e parte da América do Sul. Ao chegar à região da Amazônia, já havia conhecido diversas raças e muitas coisas diferentes. Sobreviveu devido ao seu dom de comunicação com os animais e por saber ler os sinais da natureza.
Esse índio comanche se tornou um cidadão do mundo e morreu na região onde hoje é o estado do Pará, aos sessenta anos de idade de causas naturais, cercado por seus amigos animais, pela natureza exuberante e feliz por ter vivido uma vida diferente e cheia de aventuras! Hoje, Índio Andante trabalha na Linha de Oxóssi, sob o comando e nome do Caboclo Arariboia e sente-se satisfeito por compartilhar com seus filhos os conhecimento sobre a natureza, o amor à vida e aos animais.