quinta-feira, 15 de março de 2018

CABOCLO DA LUA



O Caboclo da Lua desta seara narrou-nos a seguinte história:

Ele recebeu esse nome por sua facilidade em se orientar durante a noite. Gostava de apreciar a lua em suas diversas fases e ficava horas observando o anoitecer. Comunicava-se facilmente com os animais e tinha o dom da cura. Ele nasceu na América Central no ano de 1567, onde hoje se localiza o México. Sua tribo não resistiu muito tempo aos europeus. Os poucos sobreviventes espalharam-se pelas planícies da região do Novo México. Para auxiliar os sobreviventes a se adaptarem a nova vida, o Caboclo da Lua curava os feridos, apaziguava os ânimos e ensinava aos nativos a leitura dos céus e das estrelas.

O Caboclo da Lua viveu seus últimos anos de vida peregrinando com sua tribo pelas novas terras, tentando escapar da conquista do homem branco. Seu amor pela natureza e pelos animais lhe ajudou a se manter firme na luta. Quando por fim terminou sua jornada espiritual naquela terra, renasceu entre os Apyaká na beira dos rios Arinos e Juruena. Teve uma vida plena, em contato direto com a natureza exuberante da floresta Amazônica. Nessas vidas como índio, o Caboclo da Lua aprendeu o amor a Mãe Terra e o respeito aos irmãos de raça. Hoje trabalha na missão umbandista espalhando o conhecimento ancestral da cura, do contato com a natureza e do respeito aos seres vivos.

Fonte: umbandaempaz.blogspot.com.br

CABOCLO DA CACHOEIRA



Pescou e nadou no rio, tomou banho na cachoeira, fez apenas o que queria.

Inconformado com o que se passava em sua tribo, o robusto e taciturno índio decide afastar-se dela, de seus amigos, de sua família e viver isolado. Julgava ser impossível que o seu povo não lhe ouvisse e continuasse em profunda desorganização. Enquanto outras tribos da região que hoje é conhecida como Mato Grosso do Sul cresciam e se desenvolviam, a tribo dos Xererês estava em imensa confusão. Não dava mais para ele. Tinha mesmo que viver sozinho. Estava decidido.

Pegou sua canoa e desceu o rio em busca de um abrigo seguro onde ele pudesse viver isolado do mundo. Logo encontrou uma caverna e próximo a ela uma cachoeira. Ali, em sua cachoeira, ele reinava absoluto. Sem oposições, sem ter que se explicar com ninguém, sem ter que brigar para provar que estava certo. Ele sabia que estava, mas não conseguia convencer os seus companheiros de que a tribo precisava mudar. Não, realmente ele não precisava de seu povo. Podia viver em paz, sem aborrecimentos e em harmonia com a natureza. Aprendeu a comer frutas, raízes, caules, sementes e descobriu que conforme as necessidades do corpo deve-se ingerir uma ou outra parte do vegetal. Pescou e nadou no rio, tomou banho na cachoeira, fez apenas o que queria. Enquanto assim vivia aumentava o ódio pela sua tribo, pela arrogância de seus líderes, pela ignorância daqueles que não lhe queriam ouvir.

Um dia, porém, alimentado pela raiva e com a certeza de que seu povo não o merecia, aparece em sua frente um outro índio envolvido por uma luz forte mas não ofuscante, como que surgindo numa manhã de intensa neblina. Não, não era real. Ou melhor era real, mas não era material. Só podia ser um ancestral que vinha para confirmar aquilo que ele já sabia: tinha mesmo que viver só. Mas, ao contrario do seu pensamento, o espírito ancestral lhe ordenava:

- Volte já! Tua tribo precisa de você. O teu ódio só faz piorar as coisas. Limpe o teu coração e retorne. Ame o teu povo e aprenda a conviver. De hoje em diante viva coletivamente. A maior covardia é fugir da vida. Volte e entenda o teu povo". 

Aquelas palavras pronunciadas com austeridade e determinação não lhe soavam como uma ordem, mas sim como um conselho. Ele não sabia o por que, mas um profundo arrependimento sentiu e desatou em pranto pela sua covardia. Afinal tinha fugido da vida. Reconhecia isso agora. Decidiu voltar imediatamente. Tomou sua canoa e remou rio acima. Chegando em sua tribo foi recebido com imensa alegria por todos e desabou em pranto intenso novamente. Pensou como pode ter sentido tanto ódio de um povo que lhe amava. Arrependeu-se novamente e desse arrependimento surgiu um novo homem. Agora sim queria ser chamado de Cachoeira para que jamais esquecesse dos meses em que viveu numa caverna e do injusto ódio que sentiu.

De volta aos seus e com trabalho longo e incansável, reorganizou a tribo. Quando morreu lá estava a sua espera aquele ancestral guerreiro que mudou a sua vida:

- Seja bem vindo Caboclo da Cachoeira. 

Fonte: www.paimaneco.org.br

CABOCLO GUARÁ



Quando se levanta, o Caboclo Guará pega o Pau de Chuva e pede que eu ouça o barulho que faz. Pergunta-me o que lembra, e eu digo que parece um guizo de cobra.

Depois de riscado o ponto, pergunto ao Caboclo Guará, se pode me contar alguma coisa sobre a vida dele, então ele me pede que vá chamar a sua antiga cambone · Uca · para que ela me conte o que já sabe. Uca me relata uma parte da história da Entidade, que já havia sido contada por ele. Depois, quando estamos apenas nós dois, Sr. Guará conta que era o filho mais velho de um cacique chamado Tucuaré, e que, portanto, seria o sucessor natural de seu pai no comando da aldeia. Quando o velho cacique adoece, tudo é feito para que sua saúde seja resta bel ecida, o Pajé faz as pajelanças que conhece, mas o cacique não melhora e morre. Guará prepara-se, então, para assumir a chefia da aldeia, quando seus irmãos questionam esse direito natural, não permitindo que Guará seja cacique, e uma disputa pelo poder se esta bel ece entre eles.

Guará não aceita ter o seu direito natural à chefia da aldeia, questionado pelos irmãos e resolve não entrar em conflito, não guerrear com os irmãos, não tomar o poder à força. Ele me diz que aquele era o seu direito, e que direito não se disputa, que ele não aceita o fato de ter seu direito contestado. Guará, então, retira-se para dentro da mata, magoado com os irmãos. Muitas luas se passam até que, um dia Guará resolve voltar para a aldeia, e o que encontra é um cenário de destruição. Sua aldeia já não existe mais, uma tribo inimiga a invadiu, matando todos os homens e capturando as mulheres e crianças.

Guará é, então, tomado por sentimentos de tristeza e vingança. Sente uma grande dor de ver seu povo dizimado, de não ter estado lá para defendê-los, de ter suas mulheres, inclusive a que mais amava, e filhos, levados por outros guerreiros. A dúvida se esta bel ece em seu espírito, e ele experimenta a sensação de não ter tomado a decisão adequada ao se exilar na mata. Deveria ter ficado. Novamente a mata torna-se seu refúgio. É lá que ele passa muitas luas pensando, remoendo a culpa, e planejando qual seria a melhor maneira de ter seu povo de volta. Pensa nos irmãos, que já estão mortos, na mulher que amava, nos filhos que gerou. O desejo de vingança torna-se, pouco a pouco, muito forte e o guerreiro passa a vigiar a tribo invasora, planejando o ataque.

Um animal de grande porte é morto. Com o osso do fêmur que é pacientemente afiado numa pedra à beira rio, Guará faz uma arma com a qual vai vingar a morte dos homens e resgatar mulheres e curumins.
Noite após noite, Guará, silenciosamente, entra na aldeia e mata, cortando suas cabeças, os homens. O guerreiro não tem pressa, a cada noite executa uma parte de sua vingança, retornando sempre à mata, que agora é seu lar. Finalmente, todos os homens estão mortos.
Guará lavou em sangue a honra e a dignidade da sua aldeia e de seus guerreiros mortos.
Retorna para, então, levar de volta às suas terras, mulheres e curumins, no entanto muito tempo havia se passado e todas elas haviam se unido a outros homens e com eles procriado.

Recusaram-se a voltar, sua vida agora era ali. Guará foi, novamente, tomado por um sentimento de abandono. Tudo o que fez não surtiu o resultado esperado e ele, no desejo de vingar seu povo havia manchado suas mãos e sua alma, com o sangue de seus próprios filhos. A mata novamente o acolheu. O exílio era, agora, não questão de tempo para pensar, mas sim definitivo.

Sem pátria, sem povo, sem a mulher amada, os filhos mortos por suas próprias mãos, tornam o guerreiro um homem atormentado pela culpa. A alma do guerreiro está irremediavelmente manchada de sangue e dor. Vagar pela mata, caçar para comer e purgar a sua culpa, ocupam agora, os dias e horas de Guará.
A intimidade com a floresta faz dele um grande conhecedor de plantas e ervas, muitas delas usadas para curar.

Os índios da outras tribos, não acostumados a ver guerreiros sem aldeia e sem povo e o fato de Guará jamais se deixar ver ou comunicar-se com outras pessoas, fazem dele uma lenda. É agora tratado como ·Espírito da Floresta·, vagando entre as aldeias, sem jamais aproximar-se delas. Guará cura, com seu conhecimento e suas ervas, os índios que são deixados na mata. Quando retornam, curados, todos nas aldeias dizem que os doentes são curados pelo ·Espírito da Floresta·
Mas isso não alivia a dor do guerreiro nascido para ser cacique. Os anos de solidão só faz aumentar dentro dele a mágoa e a culpa, não consegue perdoar seus irmãos nem tão pouco perdoar a si próprio. A vida em reclusão faz dele um homem sem palavras, já não fala mais.

As vidas que salva não consolam, nem repõe a vida dos filhos, que tirou. Não suporta, nem mesmo, ver sua imagem refletida na água dos rios, e para que isso não ocorra, cobre seu corpo de lama, na tentativa de esconder-se de si mesmo.

Dias, noites, anos se passam e o guerreiro envelhece. Seu corpo maltratado pelo abandono já não consegue mais caçar para seu sustento. Deixa-se morrer, só, como viveu. Sua carne, ainda em vida é devorada pelos animais, e Guará torna-se, enfim, verdadeiramente, ·Espírito da Floresta.

Outra missão inicia-se. O espírito guerreiro, de homem acostumado à natureza, deve agora, vir para salvar os que aqui estão. Pergunto a ele se ainda sente a mesma dor. Responde que sim. Quando um filho nos é tirado por outros, a dor é grande, mas passa. Quando a vida de um filho é tirada por seu próprio pai, isso não passa nunca.· ·Cortei minha própria carne, fiz correr meu sangue, matei meus filhos e meu coração está pesado, cheio de angústia e dor·.

Pergunto a ele do que se arrepende. Diz : ·Não deveria ter abandonado meu povo, deveria ter lutado, ser cacique, achei que estava agindo certo por não querer lutar por um direito que era meu, estava errado, abandonei meu povo sem chefia, fui culpado pelo que aconteceu com eles. Meu papel de herdeiro da liderança de meu pai era ocupar a posição que era minha, não me importar com as disputas·. ·Em meu coração há, ainda muito rancor e mágoa·
Quero saber se seu pai foi um cacique bom e justo. Guará diz: · Justo, bom, cacique era bom, mas quando ficou doente, apesar dos esforços do Pajé, a doença o levou·.

Seu pai aprovaria sua atitude? ·Não sei.

Outra coisa poderia ser feita? ·Guará não pensou em outra coisa, irmãos de Guará não aceitaram Guará como cacique·.
Pergunto se, um dia, essa dor vai passar. ·Guará tem que aprender a sorrir, não pode ficar com e coração apertado, o dia que Guará sorrir, ao vem mais aqui·.
Digo a ele que, no dia que isso acontecer ficarei triste pela sua ausência, sentirei saudade, mas estarei feliz por ele. Quero saber se é possível que um dia ele sorria para mim. Ele diz que isso pode demorar muito. Digo que não tenho pressa, tenho tempo. Ele me pergunta o que é o tempo para mim, quanto tempo eu tenho para esperar.

Não sei responder, então o Caboclo quer saber a quanto tempo o homem branco está nessa terra (Brasil)? Respondo que há mais de 500 anos. O Caboclo então me diz:·
Esse é o tempo de Guará, Guará viu o homem branco chegar aqui nessa terra, você tem esse tempo? Sorrio e digo que pode ser que nós tenhamos uma longa jornada juntos, se não for nessa vida, talvez em outra eu o veja sorrir. Sinto necessidade de dizer do amor que sinto por ele. O caboclo faz um gesto de que entende o que digo, mas fica em silêncio, pensando.

Observando o movimento em volta, ele diz: ·Guará não gosta disso·. E faz um gesto apontando as pessoas, e entendo que ele não se sente bem em meio a muita gente.Digo que compreendo o que sente, pois viveu muito tempo em isolamento.
Ele então me explica que vem nessa Casa de duas formas. Às vezes jovem, e então gosta de conversar, de contar sua história, falar de seu povo. Às vezes velho, então não fala, não gosta; não porque não queira, mas quando envelheceu já não tinha voz, já não falava mais, perdeu sua linguagem.

Agora posso entender porque, às vezes, ao camboneá-lo é tão difícil ·arrancar· dele poucas palavras, e as que diz são quase ininteligíveis. Nestas horas, creio que o meu papel de cambone é ainda mais fundamental, pois tenho que estar em perfeita sintonia com a Entidade para ·sentir· o que ela quer dizer, interpretar e passar isso, com fidelidade, para o consulente. Muitas vezes não entendia, achava que estava bravo. Hoje entendo e respeito sua dor e seu silêncio e sei que ele ·depende· de mim, da minha dedicação e atenção, para poder cumprir sua missão nessa Casa.

Quando se levanta, o Caboclo Guará pega o Pau de Chuva e pede que eu ouça o barulho que faz. Pergunta-me o que lembra, e eu digo que parece um guizo de cobra. Então ele explica que, por muito tempo, na mata, tinha a companhia de uma cobra e esse barulho é como se fosse o barulho que ela fazia. Pede que eu não permita que as pessoas mexam no Pau de Chuva, fazendo o seu barulho, a cobra não gosta.

Sr. Guará vai embora, levando a sua dor e deixando para mim uma lição de vida.`por quantas vezes deixamos de lutar pelo que queremos, por achar que é nosso direito, que deveria nos vir mansamente, sem luta. Devemos lutar sempre, até pelas coisas que julgamos já nos pertencerem.

Deixa, também, um grande exemplo de amor à família e que os laços de carne e sangue são indissolúveis. Ensinou-me, nessa noite, a respeitar sempre a dor e o silêncio alheio. Fui simplista demais ao tomar seu silêncio como se fora brabeza. Não podia fazer idéia da dimensão do que lhe afligia. Não devo fazer isso com mais ninguém, nem permitir que façam comigo. As pessoas são muito mais profundas do que, por comodidade, costumamos supor.

O silêncio pode encobrir grande dor. O afastamento, grande dúvida. A falta de riso fácil, que teimamos em classificar como antipatia, pode camuflar decisão de recolhimento. Por que somos, ou queremos ser, tão superficiais? Dar logo um nome, um rótulo para tudo e todos, se nós mesmos não gostamos, nem queremos ser rotulados? A mesma delicadeza que desejo receber, devo dar aos outros. A atenção que necessito, preciso ter para com os que me acompanham.|

Foi essa a lição que levo comigo dessa noite. O desprendimento de Sr. Guará, ao me contar sua vida, expondo sua dor, não deve servir apenas para saciar minha curiosidade, ou para sabermos a sua história; muitas vezes a dor vivida por outros nos serve como alerta. Se conseguirmos, ou tentarmos, não cometer os mesmos erros, sua dor não terá sido inútil.

Por: Sheilla Riekes Prochmann

Fonte: www.paimaneco.org.br

CABOCLO UBIRAJARA




Segundo o próprio Ubirajara, ele era um guerreiro da tribo dos Tupinambá, e nasceu aproximadamente em 1556 no território onde hoje e á Bahia. Segundo seu Ubirajara, ele foi feito guerreiro muito jovem porque na quela época sua tribo estava em guerra com os homens brancos(Os portugueses) E sua tribo inimiga os tupiniquins, a maioria estava doente e os jovens eram recrutados e treinados muito sedo. 

Com 16 anos ele enfrentou os portugueses e quase foi morto, mais quando ele completou 20 anos destruiu mais de 200, e o líder branco foi comido pela tribo. Ele ganhou fama porque só foi vitória quando ele liderava, sua fama foi tanta que os portugueses já tinham medo de andar nas matas onde pertenciam os tupinambás, e principalmente do índio com os peitos largos, alguns portugueses chamavam seu Ubirajara de fantasma da morte, ou o próprio Diabo.

Na nova lei estabelecida entre os tupinambas era devorar os que sobrevivessem, e piedade não era muito praticada entre eles, Ubirajara também invocava os espíritos da floresta, e principalmente os guerreiros e devoto firme de Tupã (Deus em tupi-guarani), gostava de usar arco e flecha, escalava perfeitamente as árvores, sanguinário, com uma aparência séria e bonita, forte, feição fechada, com 30 anos Ubirajara se torna Cacique e lidera mais uma investida contra o homem branco, nessa investida eles matam mais de 1000 portugueses e tem apenas 67 perdas.

Ubirajara (Caboclo) relata que nunca perdeu uma guerra, á única guerra que ele e sua tribo não ganhou foi a ignorância, pois com o ritual do canibalismo, ele e a tribo inteira pegaram doenças graves, doenças que os índios não estavam preparados para enfrentar, e sua tribo foi extinta em 1604, Ubirajara morreu doente por volta de 1580.

Por: Alberto Ebomi

Fonte: juntosnocandomble.com.br

CABOCLA IARA



A Cabocla Iara dessa Tenda, nasceu na Tribo dos Bororos, a beira do Rio Araguaia (Rio das Araras Vermelhas), no final do século XVII. Ela pertencia ao Clã dos Araés. Era uma exímia caçadora, tecelã e pintora. Em sua tribo os rituais eram praticados com extrema rigidez. Comemoravam as caçadas e as boas colheitas com festas diversas.

Essa índia de longos cabelos negros e olhos cor da terra, gostava de enfeitar-se para os rituais e ajudar suas irmãs nos ornamentos. Fabricava adereços com as penas coloridas das araras e sementes de árvores; depois prendia-os aos cabelos ou usava como brinco nas orelhas.

Ela ficava horas nadando ou navegando no rio e era como seu nome dizia: "Aquela que mora nas Águas". Gostava de ouvir e contar as histórias dos ancestrais sobre o Mensageiro dos Rios - Boitatá; sobre Cairara - o Cacique Macaco; sobre Caipora - o Protetor dos Bichos; sobre Curupira - o Guardião das Matas; sobre Guaraci (o Sol) e Jaci (a Lua); sobre Rudá - o amor; e tantas outras histórias. Um dia ouviu o cacique dizer: "Aicué curí uiocó, paraná-assú sui, peruaiana, quirimbaua piri pessuí" (Vai aparecer do rio maior, o maior e mais poderoso inimigo de vocês). E ela viu um dia chegar o homem branco, montado em vistosos cavalos e alguns navegando em barcos. Como sua tribo era organizada não foram conquistados pelo homem branco, apenas foram visitados, pois ele ainda não tinha interesse em suas terras.

Iara morreu jovem, desapareceu nas águas caudalosas do Rio Araguaia, em meio a uma cheia das águas.  Alguns diziam que ela se apaixonou por um estrangeiro e jogou-se ao rio por amor... Outros diziam que ela foi engolida pelo rio e virou uma sereia. Muitos a viam durante a noite sentada na beira do rio penteando e enfeitando os cabelos e diziam que ela não era mais humana, era uma encantada. As mulheres da tribo começaram a lhe deixar objetos de adorno sobre as pedras da margem. Esses objetos desapareciam e as mulheres tinham seus pedidos realizados. E assim surgiu mais uma lenda... Iara passou a atuar dentro da Umbanda Sagrada como guardiã dos mistérios das águas, auxiliando os médiuns na limpeza e purificação das energias durante os trabalhos mediúnicos.

Fonte: umbandaempaz.blogspot.com.br

CABOCLA DO FOGO



Cabocla do Fogo

Essa índia de origem asteca, viveu na América Central, numa aldeia entre o Lago Texcoco e a Cidade de Tenochtitlán. Seu pai era um exímio caçador e um dos melhores guerreiros da tribo. Servia ao Cacique buscando conquistar novas tribos e levando escravos ao Sumo Sacerdote da Cidade Real. A índia de nome Aaret, gostava de dançar ao redor do fogo nos dias de festa e caminhava sobre as brasas da fogueira sem queimar seus pés. O povo da aldeia dizia que ela era protegida pelos deuses.

Aaret era uma moça muito bonita e foi prometida em casamento ao chefe da guarda da cidade principal. Porém, não chegou a cumprir seu destino... Quando os conquistadores espanhóis invadiram suas terras em busca de ouro, viram uma bela índia pulando sobre a fogueira e ficaram admirados com sua beleza. O Chefe dos expedicionários enamorou da jovem e sequestrou-a, exigindo ouro pela sua libertação. Mas, ao chegar ao acampamento espanhol, o expedicionário cedeu aos seus caprichos e utilizou sua força para possuí-la. Após ser usada pelo conquistador espanhol, Aaret sentiu-se humilhada e jogou-se sobre a fogueira do acampamento.

Os espanhóis assustaram-se ao ver uma jovem em pé entre as chamas do fogo sem queimar-se. O corpo da índia apenas se decompôs no ar, em faíscas. Ao saber do ocorrido o povo de sua tribo disse que ela se tornou um encantada do fogo e passou a ser chamada de "Senhora das Chamas". Muitos a viam na aldeia ao anoitecer, dançando ao redor da fogueira. Hoje, essa índia trabalha na Umbanda Sagrada, na Linha de Yansã. 

Fonte: umbandaempaz.blogspot.com.br

CABOCLA INDAIÁ



Ela nasceu no litoral de Pernambuco, próximo a toda beleza e exuberância das matas da Floresta Atlântica, da caatinga, dos mangues e dos cerrados. Seu pai era um guerreiro respeitado na tribo e sua mãe era uma grande artesã. Seu povo, de cultura Tabajara, vivia em paz e harmonia até a chegada do homem branco. Sua tribo mudou-se para o interior a fim de fugir da devastação do colonizador. Mas, Indaiá era muito apegada ao mar e sentia falta dele. Então, sempre que podia escapava de sua tribo apenas para visitar as águas salgadas do Oceano.

Um dia, enquanto se banhava nas águas do mar, um dos portugueses, de uma expedição de reconhecimento a avistou e encantou-se com sua beleza. Sua pele morena, seus longos cabelos negros, seu corpo perfeito, chamou a atenção do bandeirante-explorador. E ele a seguiu até encontrar sua tribo. Era o ano de 1535 e ele estava a serviço de Duarte Coelho. Os Tabajaras eram desconfiados, mas evitavam confrontos armados, diferente dos Potiguaras (que gostavam de guerrear).

O Cacique Chefe dos Tabajaras, Arco Verde (Uirá Ubi), possuía uma filha de muita beleza: Tabira; em idade de núpcias, porém sem casar. E o mesmo acontecia com Indaiá, que esperava para ser entregue a um guerreiro de sua tribo. Quando a Expedição de Duarte Coelho chegou até a Tribo Tabajara, o Cacique Arco Verde assustou-se e pensou que era o fim de sua raça. Então travaram uma luta, na qual Jerônimo de Albuquerque foi ferido por uma flecha em um dos olhos. Ele foi feito prisioneiro e condenado à morte. Porém, foi salvo pela intervenção da filha Tabira (também conhecida por Tindarena), que o cuidou e se apaixonou por ele. O casamento dos dois selou a paz entre os Tabajaras e os Colonizadores portugueses. Houve, então, uma negociação de apoio entre ambos, que se uniram contra os Potiguaras. Devido ao acidente, Jerônimo passou a ser chamado de "O Torto".

Com o casamento da filha do Chefe, Indaiá também pode casar-se com aquele que a seguiu: Alexandre Duarte, um dos assistentes da expedição. Tabira foi batizada e recebeu o nome de Maria do Espírito Santo Arco Verde - em homenagem ao Dia de Pentecostes. Indaiá também foi batizada e recebeu o nome de Maria Dolores Arué (em homenagem a Nossa Senhora das Dores). Arué (Alma dos Mortos) era o nome de seu pai. Como os conquistadores conseguiram uma aliança com os chefes indígenas tabajaras e conseguiram dominar completamente os potiguaras. Com ajuda de Vasco Fernandes de Lucena, amigo dos Tabajaras, em 12 de março de 1537 a povoação passou a ser chamada de Vila de Olinda. O nome surgiu devido a uma exclamação do donatário: "Ó linda situação para fundar uma vila!", ao observar a beleza do local.

Tabira e Albuquerque tiveram oito filhos, num casamento considerado ilegítimo. Por isso, ele se casou também com um portuguesa (Felipa), com quem teve onze filhos. Mas, ao todo ele registrou 24 filhos; por isso, o chamavam de "Adão Pernambucano". Indaiá e Alexandre tiveram treze filhos e este manteve-se fiel a esposa que tanto amava. Alexandre levou Indaiá a viagens pelo mar e ela conheceu toda a exuberância do oceano. Ela morreu jovem, aos 28 anos de idade, durante o parto de seu último filho. Alexandre contratou uma ama de leite e uma babá para criar as crianças, pois não se casou novamente.

Indaiá ao sentir que a morte se aproximava, logo após dar a luz, pediu ao esposo que a levasse à praia, pois queria morrer sentindo as águas do mar a lhe tocar. Logo após a morte da esposa, Alexandre andava a beira da praia, onde ouvia a voz da esposa e via seu vulto na água. Ele dizia aos outros que ela havia se tornado uma sereia, mas seus amigos achavam que ele andava delirando por conta da bebida e da saudade da esposa.


Fonte: umbandaempaz.blogspot.com.br