domingo, 14 de abril de 2019

HORÓSCOPO XAMÂNICO:

O horóscopo Xamânico provém dos nativos norte-americanos, sendo baseado em todo o Universo – desde os minerais ao Homem. Como o nome indica este horóscopo era do domínio dos apelidados Xamãs – curandeiros, sapientes e curandeiros. Eram eles quem comunicavam com os deuses, com a Natureza e eram ligação entre a vida e a morte. Tem como base a Natureza, que tanto respeitavam, pois acreditavam que a sua sobrevivência dependia da harmonia entre todos. A simbologia de cada animal é usado para a descrição dos arquétipos e os ciclos têm como base os ciclos lunares, as 4 estações – os ciclos da Natureza. Os signos correspondem ainda a um género de vento e direcção, entre tantos outros elementos naturais, que representam as qualidades, defeitos, futuro, presente, etc. 



Os 12 signos são: 






GANSO 

21 Dezembro a 20 Janeiro - Lua de Renovação da Terra 



Ganso pode ser muito severo, mas isso acontece apenas porque, no fundo da sua alma, e um idealista. Gosta de explorar o desconhecido e por isso enfrenta a vida com entusiasmo. E perfeccionista e com frequencia serio demais. Quer chegar longe e por isso e ambicioso e perseverante, ainda que vezes possa ser rigido demais. No Amor e bastante egoista, centrando-se apenas nele mesmo. Deve aprender a rir mais, e aprender a ser carinhoso com o parceiro. 

Da-se bem com o castor, urso pardo e corvo. 

Deve cultivar - sociabilidade, expressao emocional. 

Deve evitar - Duvidas e pessimismo. 

Planta - Framboesa 

Mineral - Peridoto 

Cor - Branca 

Direçao- Noroeste 

Medicina do Ganso - caracteriza-se pelo valor inerente a capacidade de manter-se fiel aos proprios principios e ideais. 






LONTRA 

21 Janeiro a 20 Fevereiro - Lua da Tranquilidade e da Purificação 



Lontras são brincalhonas e proféticas, criativas e lógicas. Têm altos ideais e tendem a querer mais dos outros do que é razoável. Procuram a verdade acima de qualquer coisa. Lontras são amistosas, intuitivas e têm alto grau de criatividade. Detestam normas e procuram viver de um modo aberto e liberal. São muito originais e têm um grande apreço pela limpeza e a ordem. Pessoas Lontra podem ser excêntricas e muito humanitárias. Às vezes são rebeldes e imprevisíveis. Não são muito carinhosas, e procuram viver uma profunda amizade antes da paixão transbordante. Sua maior virtude é a imaginação. 



Dá-se bem com o Corvo, o Falcão e o Cervo 

Deve cultivar: A criatividade, a tolerância e a coragem. 

Deve evitar: A excentricidade e a rebeldia. 

Planta: Alísio 

Mineral: Turquesa 

Cor: Prata 

Direção: Norte 

Medicina da Lontra: A capacidade de conectar com a criança interior, de ser inovador e idealista e desfrutar das tarefas da vida cotidiana. 








LOBO 

De 21/02 a 20/03 - A Lua dos Grandes Ventos 



O lobo é gracioso, tem iniciativa, e ama a liberdade. Pessoas Lobo são geralmente muito confiáveis, generosas e com sentimentos profundos pelos seus amados. Seu objetivo máximo é encontrar a cultivar o amor em suas vidas. A qualidade do Lobo é a compaixão, e por causa disso é uma pessoa sensível, intuitiva e muito criativa. Sempre pronto a acudir quem precisa de ajuda, no fundo, o que o Lobo deseja é que respeitem seu espaço vital e sua liberdade de movimentos. É muito afetado pelos atos e palavras dos outros, e é com freqüência tímido. É porém sincero, reflexivo e digno de confiança. No amor é carinhoso, romântico e possessivo. 



Dá-se bem com o Pica-Pau, o Urso Pardo e a Serpente 

Deve cultivar: Intuição, criatividade e compreensão. 

Planta: Tanchagem 

Mineral: Jade 

Cor: Azul Esverdeado 

Direção: Nordeste 

Medicina do Lobo: É a capacidade de atuar de acordo com a intuição e os instintos mais do que com o intelecto. 








FALCÃO VERMELHO 

De 21/03 a 20/04 - A Lua das Árvores em botão 



O Falcão é um mensageiro dos insights. Adaptáveis e abertas, as pessoas Falcão gostam de liderar, e podem ser impulsivas de vez em quando. Querem estabelecer a individualidade ao mesmo tempo em que são aceitos pelo grupo. O Falcão é ativo, esforçado e impetuoso. Possui uma grande iniciativa, mas pode tomar decisões precipitadas, das quais logo se arrepende. Com muita vivacidade, o Falcão sabe ser extrovertido e audaz. Entusiasma-se com as novas experiências, mas tem dificuldade para perseverar nas tarefas. É pioneiro, aventureiro e afável. Sua missão na vida é guiar os outros. No amor, é rápido, fogoso, e muito apaixonado. Acende-se com facilidade e quer conseguir o que deseja a todo o custo. 

Dá-se bem com Salmão e Coruja 

Deve cultivar: Paciência, persistência, compaixão. 

Deve evitar: Vaidade, orgulho e intolerância. 

Planta: Dente-de-leão 

Mineral: Opala Cor: Verde amarelado 

Direção: Nordeste 

Medicina do Falcão: O poder da observação penetrante e da capacidade de agir com decisão e energia. 








CASTOR 

De 21/04 a 20/05 - A Lua do Retorno dos Sapos 



Prático, estável e muito perseverante, o Castor é um ser carinhoso. Possui uma natureza empreendedora e um instinto possessivo muito poderoso. Alcança a segurança através das posses materiais, e pode ser muito auto-indulgente e inflexível. Como é muito trabalhador e persistente, o Castor pode alcançar o que deseja nesta vida. Precisa de paz e harmonia para evitar o mau humor. Seu sentido de estética é muito positivo. No amor, é possessivo, mas muito carinhoso. Sua missão na vida é descobrir que a matéria não é a o que mais importa na vida. 



Dá-se bem com o Pica-pau, o Urso Pardo e o Ganso 

Deve cultivar: Adaptabilidade e compaixão. 

Deve evitar: Possessividade, inflexibilidade. 

Planta: Trevo silvestre 

Mineral: Jaspe sanguíneo 

Cor: Amarelo 

Direção: Leste 

Medicina do Castor: A capacidade criativa para encontrar jeitos alternativos de pensar. 








CERVO 

De 21/05 a 20/06 - A Lua do Plantio do Milho 



O Cervo é forte, elegante e orgulhoso, e pode ser agressivo se provocado. Pessoas Cervo são muito habilidosas e encontram a segurança através das posses materiais. O Cervo é amistoso e tem grande curiosidade intelectual. Mas pode ser também inconsistente, agitado e folgado. Sua natureza é vivaz e versátil. Gosta de falar e está sempre alerta a tudo que acontece ao seu redor. No amor, é mutável. Entusiasma-se com a mesma rapidez com que perde o interesse. Sua missão na vida é aprender a coordenar os diferentes elementos que o atraem. Gosta de mudar o velho pelo novo e detesta a rotina. Ama as mudanças e os desafios, por isto está sempre saltando de um relacionamento a outro, de um emprego a outro. 



Dá-se bem com Corvo e Lontra 

Deve cultivar: Concentração, persistência e simpatia. 

Deve evitar: Mudanças de humor, inconsistência e superficialidade. 

Planta: Verbasco 

Mineral: Ágata 

Cor: Laranja 

Direção: Sudeste 

Medicina do Cervo: Caracteriza-se pela sensibilidade para descobrir as intenções dos demais e aquilo que é nocivo para o próprio bem estar. 








PICA-PAU 

De 21/06 a 20/07 - A Lua do Sol Intenso 



O Pica-pau é emotivo, sensível e carinhoso. Muito familiar, sabe sacrificar-se por seus seres queridos. Sua missão na vida é aprender a usar sua força emocional no plano material. No amor é muito maternal e romântico. Sabe ser passivo e vulnerável, mas também protetor. Sua imaginação e sua simpatia são muito grandes. 



Dá-se bem com Serpente, Lobo e Castor 

Deve cultivar: O perdão e a intuição. 

Deve evitar: Auto-compaixão e possessividade. 

Planta: Rosa silvestre 

Mineral: Quartzo rosa 

Cor: Rosa 

Direção: Sul-Sudeste 

Medicina do Pica-pau: A aptidão para estabelecer um ritmo regular na vida e a tenacidade para proteger quem se ama. 








SALMÃO 

De 21/07 a 20/08 - A Lua dos Frutos Maduros 



O Salmão esforça-se para voltar para casa após uma longa jornada. Pessoas Salmão amam o lar e são generosas e sensíveis. São também muito imaginativas e às vezes têm humor oscilante. Seu objetivo na vida é viver em harmonia com o ambiente. O Salmão veio a este mundo para brilhar e se sobressair. É entusiasmado e seguro, e toma a liderança em qualquer situação. Sabe ser energético e intransigente, assim como generoso e criativo. Às vezes pode parecer arrogante e sem dúvida sente-se ferido quando as pessoas não prestam atenção ao que ele quer. Sua missão na vida é encontrar propósito e estabilidade emocional. No amor, é insaciável e passional, mas também generoso e enamorado. 



Dá-se bem com Coruja e Falcão 

Deve cultivar: Tolerância e estabilidade emocional 

Deve evitar: Arrogância, egoísmo e intolerância 

Planta: Amora silvestre 

Mineral: Cornalina 

Cor: Roxo 

Direção: Sul 

Medicina do Salmão: Força e valor para atingir os objetivos, assim como constância para terminar as tarefas. 








URSO PARDO 

De 21/08 a 20/09 - A Lua da Colheita 



O Urso Pardo é perseverante, muito independente e prático. Sabe ser considerado e deseja ser perfeito. Por este motivo, tende a criticar muito a si mesmo e aos demais. Este pode ser seu pior defeito. Mas também é capaz de trabalhar duro e conseguir tudo o que deseja no plano material. Não gosta de mudanças e prefere o certo ao duvidoso. É bondoso e leal e sabe solucionar pequenos problemas da vida cotidiana. No amor é moralista e um tanto reprimido. Analisa demais as relações e por isso perde um pouco da naturalidade. 



Dá-se bem com Ganso e Lontra 

Deve cultivar: Otimismo e tolerância 

Deve evitar: Ceticismo e crítica excessiva 

Planta: Violeta 

Mineral: Topázio 

Cor: Marrom e Violeta 

Direção: Sudoeste 

Medicina do Urso Pardo: A capacidade de resposta, eficiência no trabalho, segurança em tempos de necessidade, e o poder para recobrar a força interior. 








CORVO 

De 21/09 a 20/10 - A Lua do Vôo dos Patos 



O Corvo é inteligente, esperto e místico. Pessoas Corvo amam a paz, são idealistas e charmosas. Eles esperam a harmonia na comunidade e devem ficar longe de incertezas e inconsistências. O Corvo odeia a solidão e necessita estar rodeado de gente. Ainda que seja agradável e bondoso, vive muito influenciado pelo ambiente que o rodeia. Se é negativo, pode ficar mau-humorado. Também sabe ser idealista e diplomático e gosta que prevaleça a justiça acima de tudo. Veio ao mundo para harmonizar os contrários. No amor, é forte e sensível, mas por demais influenciado pelos desejos e sentimentos de seu parceiro. 



Dá-se bem com Cervo e Lontra 

Deve cultivar: Constância, imparcialidade e inspiração

Deve evitar: Indecisão, incerteza e inconsistência 

Planta: Hera 

Mineral: Azurita 

Cor: Azul 

Direção: Sudoeste 

Medicina do Corvo: Aptidão para transformar situações negativas ou estéreis em positivas, e a capacidade de superar as limitações. 








SERPENTE 

De 21/10 a 20/11 - A Lua do tempo frio 



A Serpente é misteriosa e intuitiva, o símbolo da transformação. Pessoas Serpente desejam satisfação e florescem com elogios. Elas precisam de grande disciplina e força de vontade para controlar sua natureza difícil. A Serpente é misteriosa e reservada. Sabe ocultar seus sentimentos debaixo de uma atitude fria. É adaptável, decidida e imaginativa. Extraordinariamente sensível, a Serpente pode sofrer em silêncio e espera o momento propício para devolver os golpes com sua mordedura fatal. No plano positivo, é ativa e imaginativa, e muito carinhosa quando se sente querida de verdade. No amor, é intensa, com muitos sentimentos ocultos e às vezes algo retorcidos. Sexualmente interessada por experiências limite, nunca é indiferente ao seu parceiro. 



Dá-se bem com Lobo e Pica-Pau 

Deve cultivar: Determinação, adaptabilidade e criatividade 

Deve evitar: Egoísmo, arrogância e ciúmes 

Planta: Espinheira santa 

Mineral: Ametista 

Cor: Violeta 

Direção: Oeste 

Medicina da Serpente: O talento para adaptar-se às mudanças e atravessar com êxito as fases de transição. 








CORUJA 

De 21/11 a 20/12 - A lua da neve 



Corujas são muito observadoras e silenciosas. Pessoas coruja são inteligentes, bem articuladas e discretas. Seu olho para os detalhes faz delas perfeccionistas. A Coruja necessita de liberdade de expressão. É vivaz e presta muita atenção aos detalhes. Curiosa e adaptável, tende a abarcar mais do que pode. É valente e decidida, e sabe ser versátil. Sua natureza é sincera e estudiosa, e pode ser muito compreensiva, ainda que às vezes lhe falte tato. No amor, adora a aventura e é atraído por pessoas exóticas. Precisa variedade e intensidade de sentimentos, mas, acima de tudo, alguém com quem possa conversar e compartilhar seus múltiplos interesses intelectuais. 



Dá-se bem com Falcão e Salmão 

Deve cultivar:Concentração, otimismo e entusiasmo vital 

Deve evitar: Auto-indulgência e exagero 

Planta: Visco 

Mineral: Obsidiana 

Cor: Dourado 

Direção: Noroeste 

Medicina da Coruja: É o poder de discernir as coisas em momentos de incerteza e levar uma vida coerente, com planos a longo prazo. 

terça-feira, 19 de fevereiro de 2019

Origem Indígena da Umbanda - Catimbó - Jurema - Toré


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Origem Indígena da Umbanda
por Alexandre Cumino

De sua raiz indígena a Umbanda recebe o amor à natureza e a influência do xamanismo caboclo e pajelança, bem como o uso do fumo, que é considerado erva sagrada para os índios. Um culto irmão da Umbanda, o Catimbó, Jurema ou Linha dos Mestres da Jurema, também realiza trabalhos com entidades espirituais de forma muito parecida com esta, sob influência direta do Toré, que é uma prática essencialmente indígena.

 A Umbanda e o Catimbó trabalham com algumas entidades em comum como, por exemplo, Caboclo Tupinambá na Umbanda e Mestre Tupinambá no Catimbó, Caboclo Tupã e Mestre Tupã, Caboclo Gira-mundo e Mestre Gira Mundo, Pai Joaquim e Mestre Joaquim, e o tão conhecido Mestre Zé Pelintra, juremeiro muito presente na Umbanda.

 Alguns chegam a dizer que a Jurema é “Mãe da Umbanda”, de tanto que teria colaborado com esta. O Toré e a Jurema são vivos ainda hoje nas tribos Kariri – Chocó, considerados os guardiões da Jurema. Em conversa com um amigo desta tribo, o índio Tkainã, o mesmo me esclareceu que Aruanda é a Terra da Luz para sua cultura, falada na língua Macrogeu, “coincidentemente”, Aruanda é o Céu, correspondente ao Mundo Astral, para os Umbandistas.

Muitas vezes na Umbanda se usa o termo Jurema para identificar um local do mundo espiritual de onde provêm os caboclos.

O uso de chás, banhos de ervas e defumações é algo em comum para indígenas, africanos e europeus. Em muitas Tendas de Umbanda se vê o uso do Maracá (chocalho indígena) e outros elementos como penachos e cocares, usados pelas entidades incorporadas, que dá todo um ar indígena para a Umbanda.

A primeira manifestação de Umbanda que se tem notícia é do Caboclo das Sete Encruzilhadas, que justifica chamar-se “caboclo” por ter sido índio em uma encarnação aqui no Brasil, esclarece ainda que em outra encarnação foi o Frei Católico Gabriel Malagrida, queimado na Santa Inquisição.

São os Caboclos os verdadeiros mentores da Umbanda, se apresentando como linha de frente e de comando dentro da religião, sendo na maioria das vezes quem responde pela “chefia” e responsabilidade do que é realizado dentro de uma Tenda de Umbanda.

Dessa forma, vamos percebendo que existe uma cultura indígena forte dentro da Umbanda, na qual destacamos três pontos que se ressaltam nessa raiz:


1. O Xamanismo é a prática realizada por aborígines do mundo inteiro, como siberianos,
australianos, indianos, africanos ou índios das três Américas. Consiste no uso de poderes psíquicos para, em estado alterado de consciência, encontrar respostas, realizar curas ou profecias. Muitas vezes para entrar nesse estado, de transe, usam a ingestão de bebida ou fumo que lhes propicie ampliar sua consciência, sair do corpo em busca de respostas ou receber, incorporar, a presença de um animal de poder ou energia poderosa, para auxiliar sua tribo. Aqui no Brasil os Pajés são considerados xamãs, e a pajelança um xamanismo; da mesma forma, os rituais onde está presente a bebida de poder também é visto como prática xamânica. Podemos lembrar aqui do Santo Daime, Ayuaska, Peiote, Jurema e até a Canabis Ativa (Maconha) sagrada para a religião Rastafari, da Jamaica, onde tal erva é fumada apenas em ritual, e não é compartilhada para não adeptos.

2. O Toré, que é ainda praticado no Brasil pela tribo dos Kariri-xocó, consiste de uma dança
realizada com a infusão da bebida feita à base de Jurema, que pode ser mais ou menos enteógena (alucinógena para os psicólogos e leigos), palavra que significa “Encontro com Deus”. Os índios reverenciam uma divindade como um gênio que é o Espírito da Jurema, diferente de Cabocla Jurema. Da árvore de Jurema os índios usam as folhas, sementes e o tronco, para fazerem bebidas, maracás (chocalho) e cachimbos, onde o fumo também é misturado com folhas de jurema.

3. O Catimbó ou Linha da Jurema é muito praticado no Nordeste, principalmente Pernambuco, consiste em um culto que combina as tradições do Toré com a Magia Europeia, onde a presença afro se percebe menos. A palavra Catimbó pode ser derivada ou deturpada de Cachimbo, não se sabe ao certo sua origem, no entanto, tornou-se sinônimo de Magia de uma forma pejorativa, às vezes confundida com Magia Negra, o mesmo caso do que aconteceu com a palavra Macumba. Por isso, muitos “catimbozeiros” preferem ser chamados de “Juremeiros” ou simplesmente de Mestre, que é como se identificam os espíritos guias e também os dirigentes do culto.

Seu ritual lembra um pouco a Umbanda, no entanto cada médium costuma trabalhar apenas com um ou dois Mestres Espirituais, que pode ser índio, preto-velho, baiano, marinheiro e outros. Todo o trabalho é feito com o uso da Marca (Caximbo) por parte dos espíritos, e sempre com o uso da bebida de Jurema, antes e durante as incorporações.


 Para fazer parte desse culto, o neófito passa por uma iniciação chamada “Tombo da Jurema” onde sob um preparo especial de bebida de jurema esse médium sai em espírito e vai encontrar seus mestres no astral, onde em espírito vão aprender sobre a arte da Jurema. Muitas entidades da Jurema vêm na Umbanda e vice versa, o mestre de Jurema mais conhecido por aqui é “Seu Zé Pelintra”, que por sua origem externa à Umbanda vem em qualquer linha, caboclo, preto-velho, baiano ou exu.

• Luiz da Câmara Cascudo, que foi o maior folclorista brasileiro, publicou em 1951 o título Meleagro, que é um estudo de mais de 20 anos sobre o Catimbó, ainda hoje é a obra mais completa sobre o assunto, na segunda edição da obra ele apresenta comentários interessantes para este nosso estudo:

Creio que antes de 1928 estaria eu dando campo ao Catimbó em Natal, contagiado pelas
reportagens de João do Rio às religiões suplementares na Capital Federal. Em 1928, dezembro, Mário de Andrade (1893-1945), meu hóspede, “fechou o corpo” com um Mestre frequentador de nossa chácara.

Pagou vinte mil réis e narrou a proeza em crônica que não consegui reconquistar. 


Denunciaria a técnica catimbozeira natalense há 49 anos, fase das anciãs perquiridoras. Terminado em dezembro de 1949, a Editora AGIR publicou em 1951 MELEAGRO, nome pedante para justificar feitiço da Grécia em mão africana. Não se falava ainda em Umbanda, mesmo na cidade de Salvador onde fui garboso “calouro” de medicina em 1918, residindo na Baixa do Sapateiro. Édison Carneiro, baiano investigador devoto, não registra o vocábulo no Candomblé da Bahia, 1948 e em A Linguagem Popular da Bahia, 1951. Redigiu o verbete “Umbanda” para o meu Dicionário do Folclore Brasileiro. Depois de 1960 é que a Umbanda abordou Natal [...]

Neste MELEAGRO verifica-se minha familiaridade com os “Mestres”. Dizê-los “Catimbozeiros” era agressão. Reinava o amável sincretismo acolhedor entre os “Mestres do Além”, africanos, indígenas e mestiços nacionais [...]

No Dicionário do Folclore Brasileiro, 1954, Câmara Cascudo nos apresenta a definição do verbete Catimbó, da onde retiro os fragmentos abaixo, que é a parte do texto que nos interessa aqui:

Feitiço, coisa-feita, bruxedo, muamba, canjerê e também o conjunto de regras e cerimônias a que se obedece durante a feitura do encanto. Reunião de pessoas, presidida pelo “mestre”, procedendo à prática do catimbó [...]

“Catimbó quer dizer cachimbo, usado pelo mestre. O catimbó não é religião. Não tem ritos maiores, como o candomblé baiano, o xangô pernambucano, sergipano ou alagoano, ou a macumba carioca. Com breve liturgia, o mestre defuma os assistentes com o fumo de seu cachimbo e recebe o espírito de um mestre defunto, Mestre Carlos, Xaramundi, Pinavaruçu, Faustina, Anabar, indígenas, negros feiticeiros, como Pai Joaquim, bons e maus. Todos acostam, receitam e aconselham. Cada um deles é precedido pelo canto da linha, melodia privativa que anuncia a vinda do Mestre ou da Mestra.

Não há indumentária especial, escolas de filhas de santo, comidas votivas, decoração, bailado, instrumentos musicais. O mestre é o curandeiro, o bruxo. Há, naturalmente, a presença de elementos negros e ameríndios, nomes de tuxauas e de orixás, rezas católicas, num sincretismo inevitável e lógico.

O catimbó é prestigioso nos arredores das grandes cidades, consultório infalível para pobres e ricos, embora sem a espetaculosidade sonora do candomblé, da macumba e dos xangôs nordestinos. Na Pajelança amazônica intervêm animais conselheiros, mutuns, boiúnas, cavalos-marinhos, cobras, jacarés, ao lado de mestres e mestras. O catimbó aproxima-se velozmente do baixo-espiritismo, perdendo a ciência dos remédios vegetais e a técnica de São Cipriano e da Bruxa de Évora. Representa, como nenhuma outra entidade, o elemento da bruxaria europeia, da magia branca, clássica, vinda da Europa, herdeira dos bruxos que o Santo Ofício queimou e sacudiu as cinzas no mar. O mestre é uma sobrevivência do feiticeiro europeu, e não um colega do babalorixá, babalawô ou pai-de-terreiro banto ou sudanês. Catimbó não é sinônimo de Candomblé, macumba, xangô, grupo de Umbanda, casa de mina, tambor de crioulo, etc. É uma presença da velha feitiçaria deturpada, diluída, misturada, bastarda, mas reconhecível e perfeitamente identificável. Foi motivo de quase vinte anos de observação pessoal para o Meleagro, ed. Agir, Rio de Janeiro, 1951 [...]1”

Texto do Livro História da Umbanda, de Alexandre Cumino, Editora Madras.

1 CASCUDO, Luis da Câmara. Dicionário do Folclore Brasileiro, Belo Horizonte: Ed. Itatiaia, 1984, 5ª Ed., p. 206.

domingo, 17 de fevereiro de 2019

A Erva e a bebida de Poder e Sua Relação com o Médium – Mediunidade Xamanica e de Umbanda

“No momento em que você profana o sagrado, o resultado é dor”.
Frase de Edmundo Pelizari

Manipular uma erva de poder, dentro de um ritual, é uma ação Sagrada, muito diferente da dependência da mesma no dia a dia da pessoa.

Na cultura Andina, por exemplo, a folha da coca é Sagrada e consagrada em rituais à Mãe Terra. Bem diferente do uso abusivo e profano que vicia e causa muitos danos.
Diz uma lenda que o povo Andino rogou praga ao povo Europeu por ter destruído sua cultura e acabado com suas folhas de coca:

“Vocês sofrerão por terem profanado nossa erva Sagrada, a coca”.

Sabemos que a cocaína, produto quimicamente industrializado do principio da folha de coca, é avassalador mal que aflige a sociedade mundial. É a profanação do Sagrado causando dor e morte através do vício.

O mesmo ocorreu com o tabaco, usado para fins ritualísticos pelos indígenas, sofreu a interferência do europeu que o industrializou, profanando assim a erva sagrada e transformando-a em vício.

Quando utilizado pelas entidades de Umbanda, o tabaco retoma sua origem e, no momento do ritual é erva sagrada de poder e não vicio.

O mesmo acontece com a cana que é transformada em bebida e, quando consumida dentro do ritual é sagrada, manipulada para fins terapêuticos e não profanos.

A entidade incorporada em seu médium, não consome cachaça a fim de se embriagar, ou ao médium, não necessita de quantidade e sim do fluído que purifica, descarrega e promove assepsia. A entidade não necessita dar espetaculares demonstrações de seu “poder”, bebendo demais ou caminhando sobre cacos de vidro, por exemplo.

O poder real de uma entidade de Umbanda está no bem que ela, junto a seu médium, promove. Está na palavra amiga, no alivio das dores físicas e morais daqueles que as buscam.

Seu poder nada tem a ver com espetáculos ou provas infantis de força. Seu poder é o amor que espalha tocando corações e auxiliando o progresso das pessoas.

O uso da bebida e do fumo são quase práticas Xamanicas, porém o Xamã e o médium de Umbanda são diferentes instrumentos da espiritualidade utilizando as mesmas ferramentas de trabalho de formas diversas e, por vezes, com o mesmo fim.

Nas sociedades primitivas, antes do surgimento das religiões, o homem já praticava a experiência da transcendência, existem estudos sobre o assunto.

A experiência transcendental é única, inexplicável,  pois pertence ao individuo e cada um vive e experimenta o transe de forma particular, única,  e cada um tem seu propósito, cada individuo utiliza o transe para um determinado fim.

Entrar em transe tanto pode acontecer de forma espontânea quanto induzida. Na Umbanda há o desenvolvimento mediúnico que é uma técnica, no Xamanismo a técnica consiste em cantos, toques de tambor, muito semelhante à indução ao transe na Umbanda em alguns terreiros, pois existem outros que não utilizam tambores, ou atabaques.

No Xamanismo o tambor é chamado de arco porque simboliza o arremesso ao mundo espiritual, ao estado alterado de consciência que possibilita ao aspirante, tornar-se um Xamã. 
Nesse ponto encontramos semelhança com a mediunidade de Umbanda.

Outra maneira, muito particular de tornar-se Xamã é pela experiência dolorosa da doença que não encontra cura nas terapêuticas disponíveis. Diante disso, aquele que se tornará Xamã, a partir dessa experiência, sai do corpo, em desdobramento astral, incorpora um espírito e percebe que sua doença, na verdade é uma doença da alma apontando desequilíbrio com o mundo dos espíritos.

A partir do momento que essa pessoa consegue se curar, ela se torna um Xamã porque ela alcançou a cura da alma por intermédio de uma revelação espiritual, uma experiência transcendental que lhe ensina o caminho da cura possibilitando-o, dali por diante, a  ser um curador que muito provavelmente manterá  contato direto com a espiritualidade.

Essa doença, que acomete os aspirantes a Xamãs é conhecida como doença Xamanica.

O fundador da Umbanda, Zélio F. de Moraes, viveu algo semelhante antes da fundação da Umbanda.
Ele sentia dores, passava mal e sua família relatava que ele sofria com “ataques”.
Na verdade Zélio teve uma doença Xamanica hoje conhecida e classificada como mediunidade.

Existe um ditado, no meio Umbandista, que diz o seguinte:

“Quem não vem por amor, vem pela dor”.

A dor seria a doença Xamanica, ou o aflorar da mediunidade e o amor a fé e o encantamento que a Umbanda propicia àqueles que a buscam de coração e mente abertos.

A mediunidade mal trabalhada ou negligenciada causa vários transtornos ao médium, por isso o Xamã diz ser uma “doença” do espírito e as entidades de Umbanda aconselham seu desenvolvimento a fim de que a pessoa retome seu equilíbrio espiritual que se reverte, por sua vez, em saúde física e emocional.

Podemos concluir que todo médium é um pouco Xamã e que mediunidade é muito mais que um mero termo para rotular o individuo que entra em transe mediúnico.

Nas sociedades antigas médiuns eram considerados Xamãs, rotular, porém, a mediunidade e o médium, seria limitar os potenciais que podem se manifestar em cada um de nós.

Mediunidade, portanto, é muito mais e não se limita a um sistema, a uma única forma de ser trabalhada, mediunidade transcende. O Xamanismo nos mostra esta transcendência de forma muito clara e todo Umbandista sente simpatia/afinidade com esta forma Xamanica de trabalhar a mediunidade.

As entidades que se manifestam através de nós tiveram várias encarnações, assim como nós também tivemos e, sermos simpáticos à Umbanda ou a outra religião mediúnica, revela que em outros tempos, muito provavelmente, a magia e seus mistérios nos foram muito familiares.

Annapon
17.11.2014

(Texto baseado no Curso de Teologia de Umbanda Sagrada – Desenvolvido por Rubens Saraceni – Ministrado por Alexandre Cumino)