quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Caboclo Arco-íris


Aquele que trabalhou pela união dos povos!
 
A história do Caboclo Arco-íris dessa Seara ocorreu entre o século XVIII e XIX, em meio a Colonização Inglesa do Canadá. Ele atua na vibração de Oxumaré na Linha das Águas da Umbanda Sagrada (como assim foi determinado pelo Caboclo Sete Encruzilhadas, através de Zélio de Morais e está definido na Apostíla de Umbanda do Grande ABC Paulista).
Os primeiros habitantes do Canadá eram os aborígenes: algonquinos, esquimós, iroqueses sioux, entre outros. Pelo estudo geográfico, estes povos teriam migrado da Ásia para a América do Norte há milhares de anos! Isso pode ter ocorrido há cerca de 30 mil anos ou mais, quando alguns sobreviventes da Grande Nevasca e dos Grandes Cataclismas, atravessaram uma faixa de terra, entre a Sibéria e o Alaska. Porém, os primeiros europeus a pisar em solo canadense foram os Vikings. Eles iniciaram uma colonização que produziu uma série de enfrentamentos contra os nativos, mas foram obrigados a se retirar em 1010 d.C., pela insurreição dos nativos.
primeiro europeu a reivindicar o território canadense foi o navegador italiano Giovani Caboto ou "Jhon Cabot", em 1497, estando a serviço da Coroa Britânica. Porém, a colonização da região, só foi iniciada em 1554, pelos franceses. Jacques Cartier desembarcou no golfo de São Lourenço e tornou a região conhecida como "Nova França". Durante o século XVIII, houve vários enfrentamentos armados pelo domínio das terras entre a Inglaterra e a França. Essa guerra ocorreu no vale de Ohio, de 1754 até 1763, quando os franceses assinam o Tratado de Paris e cederam seus territórios aos ingleses. Em 1791, mediante a Ata Constitucional, a Inglaterra dividiu o território canadense em "Quebec" e "Ontário" - cuja população é francesa e inglesa, respectivamente.
Foi, justamente nesse período que viveu o Caboclo Arco-íris. Ele recebeu esse nome pois gostava muito de observar a Aurora Boreal, que se formava na baixa estação ou estação mais fria do ano e ficava encantado com o Arco-íris, da alta estação ou da estação mais quente. Desde criança, ele tentava reproduzir com as tintas extraídas das plantas o espetáculo de cores que via. Seu pais diziam: "-Esse menino é diferente, pois não se interessa pelas coisas da tribo." Mas, quando ele cresceu, procurou aprender todos os costumes dos dois povos da região e tornou-se eloquente em suas dissertações com os Chefes dos dois lados. Ele procurava negociar a paz e evitar a guerra. Então, no século XIX, os Estados Unidos pareciam ameaçar a hegemonia britânica no Canadá e Ele preocupou-se com uma possível guerra. Pediu ao Grande Pai de Todas as Criaturas que olhasse por eles... E em 1867 foi criada a "Confederação Canadense", com a Ata da América do Norte Britânica; que uniu a Nova Escócia, New Brunswick, Quebec e Ontário.
Assim, o Caboclo Arco-íris percebeu que conseguira cumprir sua missão de apaziguador e poderia descansar em paz. Seu espírito deixou a Terra dos Homens, para habitar o Mundo do Grande Espírito. Mas, Ele acompanhou de longe todos os acontecimentos que ocorreram depois: "Durante a I Guerra Mundial, o Canadá apoiou ativamente os aliados, enviando mais de 600.000 homens e 556 navios da marinha mercante.  Em 1931, o Parlamento Britânico cedeu ao Canadá sua autonomia legislativa, através do Estatuto de Westminster. Mesmo assim, em 1939, o Canadá declara guerra à Alemanha em apoio à Grã Bretanha. Mas, foi somente em 1982, que o Canadá obteve sua total independência da Coroa Britânica (graças à nova Lei Constitucional). Após a II Guerra Mundial, aumentou a diversidade cultural canadense devido à chegada de imigrantes asiáticos, sul-americanos, europeus e caribenhos."
Hoje, esse Xamã das Luzes Coloridas, como também é conhecido, cumpre sua missão de grande Ordenador da Paz Universal. Quem tem o Privilégio de Tê-lo como Mentor deve ser agradecido e agir com humildade em suas ações. O Caboclo Arco-íris acompanha somente médiuns dedicados e de bom coração.

Caboclo Junco Verde


Aquele que vive sob as águas e sobre as árvores!

Esse caboclo nos procurou e contou sua história, pedindo-nos sua divulgação. Mas, antes de relatar sua história, queremos esclarecer sobre a planta que originou seu nome. O junco cresce abundantemente em regiões alagadas, como o Mar Mediterâneo, o Nilo e o Amazonas. Na Amazônia o junco (Juncus effusus) é confundido com o cipó-titica (Heteropsis flexuosa) e no Nordeste, com o rattan ou vime. Apesar de possuirem similaridades após a extração, as plantas pertencem a famílias diferentes da flora e possuem desenvolvimentos bem distintos. Enquanto o junco cresce nos alagados, o cipó desenvolve-se em terra firme, nas florestas. Após a colheita, as fibras secas possuem semelhanças e por isso existe a confusão de nomes. Como as plantas, em seu habitat são totalmente distintas entre si, torna-se necessário essa explicação para elucidar o porquê de seu nome. Esclarecido esse ponto vamos a história.
Esse índio nasceu na Região da Amazônia, no século XV, onde hoje dividem-se os estados de Roraima e Amazonas, na Tribo dos Wapixana (do grupo Aruak). Eles eram a maior poupulação indígena do norte do Brasil, um povo pacífico que evitava a guerra. Durante séculos, sua tribo foi atacada diversas vezes por etnias de outras áreas, principalmente pelos Karibs. Para defender-se dos ataques, eles subiam nas árvores mais altas e lá permaneciam por dias. Possuíam muita agilidade para escalar cipós titicas e para ocultar-se dentro da água usando os juncos como esconderijo.
Desde criança ele gostava de se balançar nos cipós titicas e mergulhar no meio dos juncos dos algados. A tribo dizia: "Esse menino parece um Nhun Bituva, um Nhun Peri (junco verde), ora pendurado nas árvores, ora escondendo-se nos alagados." E assim, ele recebeu seu nome: Junco Verde (Nhum Peri Bituva). Ele sabia trançar as fibras e fazer cordas, com as quais laçava os tatetos e os jacarés; era ágil para subir em árvores, armar redes e emboscadas. Quando sua tribo era atacada, ele usava o laço em armadilhas diversas para evitar a aproximação do inimigo. E assim Junco Verde cresceu e tornou-se um exímio caçador e um grande guerreiro. Casou-se cedo com "Irupé" (que significa Vitória Régia na língua indígena); ela era filha do chefe da tribo e eles tiveram três filhos - dois meninos e uma menina.
Nhum Peri Bituva e Irupé foram muito felizes por quase quinze anos. Mas, como nada dura para sempre, sua tribo foi surpreendida durante a madrugada por um grupo de índios desconhecidos para eles, os Astecas. Os Astecas eram totalmente vorazes e organizados em suas empreitadas. Dominavam as tribos mais pacíficas, derrubavam tudo o que encontravam pelo caminho e escravizavam outros índios. Irupé viu seu marido e seus filhos serem levados para serem oferecidos ao Deus Sol. Ela e sua filha pereceram em solo Wapixana, após serem brutalmente atacadas. Durante a marcha para o Império do Sol dos Astecas, Nhum Periconseguiu libertar seus filhos e ajudou-os a fugir para mata. Mas, seu sacrifício lhe custou a própria vida, pois foi ferido por uma lança e depois esquartejado. Seus pedaços serviram de alimento aos cães que acompanhavam a procissão indígena. Os filhos de Junco Verde conseguiram embrenhar-se nas matas e foram acolhidos por uma tribo Maiongong.
No Plano Espiritual, IrupéNhum Peri Bituva e a filha, encontraram-se no Reino de Jurema. Juntos eles viram uma nova terra florescer e outros povos chegarem. Tornaram-se acompanhantes espirituais dos índios que pereciam em combate contra a própria raça ou contra os homens brancos. Muitos anos passaram... Irupé reencarnou na Europa para viver uma nova experiência. A filha renasceu em solo brasileiro e tornou-se uma das primeiras mulheres abolucionistas do Brasil. Junco Verde permaneceu trabalhando na Jurema e auxiliando a Aruanda de todos os povos. Quando a Umbanda surgiu como religião, Junco Verde foi chamado a contribuir com seu conhecimento e sua dedicação.

Os Caboclos de Xangô


Xangô é o Orixá que comanda a Linha da Justiça e representa a firmeza da rocha e a força do trovão. Ele é sincretizado com São Jerônimo - nome da sexta Tenda fundada por Zélio. É o grande Patrono da Política e do Povo do Oriente, no sincretismo com São João Batista, comemorado em 24 de junho. São Jerônimo possui duas datas comemorativas: 15 de junho (no Oriente) e 30 de setembro (no Ocidente). A sabedoria de Xangô está representada nas experiências vividas pelos Doze Apóstolos e por todos os santos velhos. Na Umbanda a sua cor é marrom, seu dia é a quarta-feira e sua saudação é Kaô XangôKawô Kabiecilê.
Na falange do Povo do Oriente, Xangô representa todos os Grandes Mestres de antigamente, como Lao Tsé, Confúcio, Buda, Maomé, Davi, Salomão, Moisés, entre outros. Os Caboclos que atuam na Linha de Xangô foram em outrora xamãs, sábios, caciques, pajés e curandeiros. Quando se apresentam num terreiro, atuando em sua própria linha, Xangô pode adotar os seguintes nomes: Xangô Agodô, Xangô Aganju, Xangô Abomi, Xangô Alafim, Xangô Kaô, Xangô Alufan, Xangô Sete Pedreiras, Xangô Sete Montanhas, Xangô Sete Machados, Xangô Sete Cachoeiras, Xangô Sete Rochas, Xangô Sete Trovões, Xangô Sete Pedras, entre outros. E dessa forma são Chefes de Falange, quando o médium possui Xangô em seu camatulê.
Como Caboclo de Xangô,  atuando na vibração das demais linhas, podem usar os seguintes nomes: Caboclo Quebra-Pedra, Caboclo Treme-Terra, Caboclo Pedra Roxa, Caboclo Pedra Preta, Caboclo Pedra Branca, Caboclo Arranca-Toco, Caboclo Quebra-Machado, Caboclo Justiceiro, Caboclo Trovoada, Caboclo Ribanceira, Caboclo Machada de Ouro, Caboclo Cachoeira, Caboclo Pedreira, etc. Existem poucas caboclas atuando na Linha de Xangô, pois antigamente, a chefia e a pajelança eram assumidas unicamente por homens. Mas, existem algumas que se destacaram na história, como: Cabocla do Sol, Cabocla Jussara, Cabocla Cinara, Cabocla Xamã, Cabocla Indiara, Cabocla do Fogo, Cabocla das Pedras Sagradas, Cabocla Chama Dourada, Cabocla Caçadora, Cabocla do Trovão, Cabocla Curandeira, entre outras.
Xangô no Candomblé é cultuado de forma diferente do que na Umbanda, por isso cada site possui suas particularidades, assim como cada Templo, pois cada nação possui seus atributos e influências. Encontrei um texto interessante, de uma Cabocla de Xangô, que pode ser lido no seguinte endereço: http://espiritismoeumbanda.blogspot.com.br/2010/08/alerta-de-uma-cabocla-de-xango.html

"Fui buscar um lírio branco nas pedreiras de Xangô,
Encontrei lá outras flores na linda primavera de meu Pai Xangô."
Xangô Jovem                                           Xangô Velho     

Os Caboclos de Oxóssi


No dia 20 de janeiro comemoramos o Dia de São Sebastião, sincretizado com o Orixá Oxóssi. A Linha de Oxóssi, na cor verde, comanda todos os trabalhadores das Matas e possui muitas entidades  espirituais atuando nessa vibração. Algumas dessas entidades se tornaram mais conhecidas e são muito veneradas dentro da Umbanda Sagrada, como podemos citar: Caboclo Pena Branca, Caboclo Pena Verde, Caboclo Sete Penas, Caboclo Pena Dourada e que estão diretamente ligados às aves. A ave é um símbolo xamânico de redenção e elevação espiritual. Significa a "Grande Espiral Sagrada". Mas, também existem outros Caboclos dessa linhagem: Caboclo Pena Azul, Caboclo Pena Roxa, Caboclo Pena Amarela, Caboclo Pena Vermelha, Caboclo Pena de Prata, Caboclo Pena Preta, Caboclo Pena Cinza, Caboclo Pena Carijó e Caboclo Pena Marrom.
Além dos Caboclos das Penas, temos os Caboclos das Plantas: Caboclo Sete Folhas, Caboclo Samambaia, Caboclo Folha Verde, Caboclo Junco Verde, Caboclo Serra Verde, Caboclo Guiné, Caboclo Arruda, Caboclo Tronco Verde, Caboclo Cipó, Caboclo Sucupira, Caboclo Seringal, Caboclo Mata Virgem, Caboclo Sete Matas e Caboclo Sete Ervas. Esses Caboclos são os mais conhecidos e atuam na vibração de cura pelas plantas. Eles são os protetores sagrados das Matas. Existem inúmeros Caboclos chamados de "Encantados" atuando na vibração das Matas e na religião do catimbó.
Outra linhagem de Caboclos que atua na Linha de Oxóssi, são os Caboclos das Cobras: Caboclo Cobra Verde, Caboclo Cobra Amarela, Caboclo Cobra Coral, Caboclo Cobra Branca, Caboclo Cobra Negra, Caboclo Cobra Sucuri, Caboclo Cobra Jiboia, Caboclo Cobra Urutu, Caboclo Cobra Cruzeiro e Caboclo Sete Cobras. A cobra no xamanismo representa a busca por inspiração e sabedoria. E todo caboclo dessa linhagem atua na medicina da alma, curando as mazelas do espírito.
A Linha de Oxóssi também possui os caboclos caçadores e desbravadores, como: Caboclo Sete Flechas, Caboclo Flecheiro, Caboclo Arqueiro, Caboclo Capangueiro, Caboclo Caçador, Caboclo Atirador, Caboclo Laçador, Caboclo Arariboia, Caboclo Javali, Caboclo da Pantera, Caboclo Onça Pintada, Caboclo Águia Dourada, etc; e também os Caboclos que trabalham com Pajelança: Caboclo Feiticeiro, Caboclo Curimbeiro, Caboclo Mandingueiro, Caboclo Milongueiro, etc. Todos esses Caboclos auxiliaram no desenvolvimento e na evolução de sua raça, pois foram os precursores em sua tribo, no contato com novas civilizações.
Assim como existem os Caboclos de Oxóssi, também existem as Caboclas. Elas assumem nomes diferentes dos Caboclos porque viveram e vivem em uma cultura onde o homem caça, pesca e sustenta, enquanto a mulher cuida das roupas, da comida e dos filhos. Poucas índias puderam se sobressair em seu meio. Mas, aquelas que lutaram deixaram seu nome na história.
Como exemplo de Caboclas de Oxóssi temos: Cabocla Jurema, Cabocla Juremeira,  Cabocla Jupira, Cabocla Jussiara, Cabocla Jacira, Cabocla Jupiara, Cabocla Jupissiara, Cabocla Indaiá, Cabocla, Cabocla Pena Rosa, Cabocla Rosa Branca, Cabocla Serena, Cabocla Açucena, Cabocla Pássaro Azul, Cabocla dos Pinheirais, Cabocla do Sertão, Cabocla das Cobras, Cabocla Favo de Mel, etc. Muitas são Chefes de Falange e muitas trabalham em outras falanges e assumem nomes semelhantes aos Caboclos com quem trabalham.
Em nosso Site procuramos publicar as histórias que nos são "ditadas" pelas Entidades e conforme Elas nos solicitam. Portanto, não publicaremos as histórias de alguns Caboclos, porque suas histórias já existem em outros sites e é fácil encontrá-las em pesquisa na internet. As histórias dos Caboclos: Cobra Coral, Cobra Amarela, Capangueiro, bem como, das Caboclas: Jupira, Jupiara e Jupissiara já estão publicadas nesse site.  Nas próximas postagens escreveremos sobre os Caboclos e Caboclas das outras Linhas. Okê Oxóssi! Okê Caboclo! Okê Bamboclinho! Okê Bandi o clime! Okê Arolé Oxóssi!

Rosalinda


Uma baiana que não era baiana.

Povo Baiano agrupa os trabalhadores espirituais que viveram no Nordeste Brasileiro, pois os estados nordestinos pertenciam à Bahia no começo da Colonização do Brasil. Por isso, a baiana Rosalinda não nasceu na Bahia. Ela nasceu no sertão nordestino, no estado de Sergipe, numa Vila entre o estado da Bahia e de Alagoas. Essa região hoje se chama: Canindé de São Francisco. Desde que nasceu, com as bochechas bem rosadas, sua mãe lhe chamou de Rosa e seu pai de Linda, por isso recebeu o nome de Rosalinda. Mas, todos costumavam chamá-la de Rosinha. Ela nasceu no ano de 1889, um pouco antes da Proclamação da República e quando Sergipe, enfim, tornou-se um estado brasileiro. Seu pai era um mameluco que trabalhava como vaqueiro nas margens do Rio São Francisco e sua mãe era uma filha de escravos que trabalhava como bordadeira. Viviam da pesca, do gado, do artesanato e se alimentavam de plantas nativas da caatinga.
Rosalinda foi uma moça esperta e alegre que sempre auxiliou sua mãe nos trabalhos domésticos. Também gostava de ajudar seu pai na lida com o gado. Amava a vida que levava: tranquila, a beira do Rio São Francisco e cheia de riquezas naturais. Um dia, alguns cangaceiros cruzaram suas terras e se encantaram com a beleza da moça. Um dos rapazes a convidou para seguir com ele no bando, mas ela recusou. Rosinha não queria se apartar de seus pais e não queria deixar a vida que levava. O Chefe do bando não mexia com moças virgens, respeitava, pois tinha uma filha da mesma idade. Mas, o rapaz, não suportou ser rejeitado e começou a ameaçar a moça. Vendo que seus familiares corriam perigo, pediu aos pais para seguir com o bando, alegando estar apaixonada pelo moço. O pai de Rosalinda, no começo recusou e falou que isso não era vida para uma moça. A mãe chorava muito... Por fim, aceitaram, desde que ela nunca saísse do acampamento dos cangaceiros e que não se juntasse a eles nas contendas. Rosinha concordou, despediu-se dos pais e seguiu com o bando. Seguia cheia de tristeza em seu coração. Sonhava se casar por amor. Jamais pensou em ser forçada a se casar, pois seus pais eram muito bons para ela. Ela correu com o bando por várias localidades e sempre se manteve no acampamento. O rapaz fazia de tudo para agradá-la, porém ela não esquecia a família. Após de um ano viajando Rosalinda estava prestes a dar a luz. Na beira de uma estrada nasceu um menino e ela não resistiu ao parto. Morreu de dor, de tristeza e de hemorragia. O menino cresceu com o pai e se tornou um dos cangaceiros mais respeitados da região, lutando pela justiça dos menos favorecidos. Depois dele vieram outros, como Lampião, que se tornou o Cangaceiro mais famoso da história do Brasil.
Por algum tempo o espírito de Rosalinda vagou, ligado ao menino que nasceu e buscando a família... Mas, depois foi recolhido ao Reino de Aruanda. Ela se tornou mais uma trabalhadora na Falange das Baianas. Trabalha na Linha das Águas, distribuindo amor e alegria a todos a quem atende.
No seguinte endereço: http://www.memoriaviva.com.br/ocruzeiro/06061959/060659_2.htm é possível ler a história completa e verdadeira de "Lampião e Maria Bonita".

Cabocla Janaína


"O mar serenou quando ela pisou na areia...
Quem samba na beira do mar é Sereia!"

A Linha das Águas compreende tanto as Caboclas de Iemanjá como as Caboclas de Oxum. As Caboclas dessa Linha são formosas, simpáticas e de extrema paciência. Assumem diversos nomes, como: Janaína, Iara, Inaê, Jandiara, Jandira, Jandaia, Indaiá, entre outros. Também temos Caboclos atuando nessa Linha... Mas, hoje, contarei apenas a história da Cabocla Janaína desta seara.
Janaína significa "Rainha do Lar". Ela nasceu na Tribo dos Goitacás, no litoral sul do estado do Espírito Santo. Eles eram índios pacíficos e felizes porque evitavam a guerra. Seu pai era um grande guerreiro e sua mãe uma grande tecelã. Viviam da caça e da pesca. Sua pele era queimada do sol da praia, onde gostava de passar horas apreciando o mar. Sabia nadar como um peixe e compreender a linguagem da natureza.
Quando a expedição Cabralina passou por suas praias ela foi uma das primeiras a avistar o navio e o homem branco. Apaixonou-se pelo que viu: eles pareciam deuses para ela... Janaína possuía olhos amendoados, longos cabelos negros e pele morena do sol. Seu corpo possuía boa forma e beleza. Por isso, chamou a atenção do homem branco, quando ele desembarcou próximo a sua aldeia. Ela correu avisar os chefes da Tribo e chamar os demais. Acompanhou de longe todos os contatos, mas não entendia o que eles falavam. Pelos sinais percebeu que tentavam se aproximar e fazer amizade. Deram presentes, que para ela eram desconhecidos: garfos, colheres, espelhos, colares... Mas, que pareciam tesouros! O que mais lhe chamou a atenção foi o espelho! Já havia se mirado nas águas de um lago, mas olhar-se num espelho, era mágico!
Os portugueses lhe deram um vestido e um adorno de cabelo e lhe mostraram como usar tudo aquilo. Ela se vestiu e se enfeitou e percebeu os olhares sobre ela. Nunca mais foi a mesma. Sentiu-se encantada com esse novo mundo. Sabia que existia muito mais do que ela conhecia. Foram vários meses de visita. Ela não tinha medo do homem branco e até apaixonou-se por um deles; ele era um dos imediatos do navio. Mas, ela já estava prometida em casamento.
Após dois anos de visitas contínuas, ela entregou-se ao rapaz, em meio a natureza. Dois meses depois estava grávida e o navio já estava de partida. Sua tribo era severa com traições. Seria mantida presa na oca até o nascimento da criança, a qual seria dada aos animais. Depois a prenderiam em um mastro no meio da tribo, com privações diversas sob o sol e a lua, até que contasse quem era o pai da criança. Em seguida seria expulsa ou morta com uma flechada no peito. Por conta disso, desesperou-se ao perceber que ficaria sozinha. Não tinha planejado nada daquilo, apenas aconteceu. Então, ao ver o navio partindo, atirou-se às águas e nadou o mais que pode para alcançá-lo. Queria pedir ao pai da criança que a levasse junto. Mas, suas forças enfraqueceram e afogou-se nas águas profundas... A Mãe d'Água compadecida, devolveu seu corpo à praia e quando a encontraram não entenderam o que aconteceu. A Tribo dizia que ela morreu por amor ao homem branco.
Depois que desencarnou seu espírito foi recolhido e ela soube o restante da história. O rapaz retornou a Portugal e nunca mais visitou o Brasil. E somente trinta anos depois os brancos voltaram a pisar em sua terra nativa. Os capixabas foram colonizados e os índios catequisados pelo Padre José de Anchieta. Foi convidada a trabalhar para auxiliar os índios que morreriam nos próximos anos devido à ocupação pelo homem branco. Foi então fundada a Colônia de Jurema, que começou a abrigar todos os nativos que morriam para preservar seu solo. Os séculos passaram e muita coisa aconteceu ao Brasil. Sua terra não era mais a mesma. Surgiu a Colônia de Aruanda e um novo trabalho se instalou e ela se tornou mais uma trabalhadora da Seara Umbandista no solo brasileiro.
 
 

Cabocla Jandira


Uma cabocla-pajé!

A Cabocla Jandira que trabalha nesta casa, relatou-nos a seguinte história: Durante a invasão e conquista dos europeus sobre a América, ela trabalhava como curandeira em sua tribo: atendia os doentes, aconselhava os demais, preparava os curumins, fazia unguentos e poções com ervas medicinais, instruía e apaziguava a tribo. Todos eram encaminhados a ela, para tratamento e solução de seus problemas. Como estava muito velha, segundo ela, com mais de cem anos... decidiu passar o cargo a uma aprendiz. Essa aprendiz ignorou sua missão, cortando seus cabelos e enterrando-os na mata, junto a uma árvore, como forma de renegar sua ancestralidade. Sem tempo de preparar outra pessoa e prevendo uma invasão, a cabocla tentou salvar sua tribo migrando para o norte, mas foram surpreendidos pelos conquistadores e dizimados... A aprendiz sobreviveu, mas não cumpriu sua missão de curandeira, indo trabalhar junto aos brancos.
A cabocla sentiu-se responsável por todos os filhos dessa tribo e resolveu dedicar-se ao resgate deles no meio espiritual. Como "Cabocla Jandira" e socorrista espiritual, a índia-pajé Takumi, conseguiu localizar todos os antigos filhos e arrebanhá-los novamente no amor. Alguns também atuam como Caboclos na Linha de Jurema e outros estão encarnados, cumprindo missão como médiuns ou apenas vivendo uma vida normal.
A Cabocla Jandira atua na Linha das Águas, promovendo a cura e a limpeza da aura daqueles a quem atende, sempre com bons conselhos e boas lições. E esse aprendiz, que hoje vos escreve, trabalha na seara umbandista pretendendo resgatar sua dívida acumulada junto aos antepassados indígenas desta história que vos relatei.